Meu nome é Eduardo, mas todo mundo me chama de Edu. Tenho olhos castanhos, cabelo preto curto e estou naquela categoria perigosa do "nem bonito, nem feio"… na média. Carrego quase sempre um sorriso fácil nos lábios — acho que é meu jeito de esconder o que sinto.
Tenho 17 anos e moro em um apartamento com meu pai. Ele passa mais tempo trabalhando do que em casa. Depois que minha mãe faleceu, aprendi cedo a me virar sozinho. Limpar, cozinhar, fazer compras, pagar contas… tudo virou parte da minha rotina. Meu pai até me deu acesso ao cartão de crédito para cuidar das despesas. Confia em mim. E eu faço questão de nunca decepcioná-lo.
Mas se tem uma coisa que realmente faz meu coração bater mais rápido, é o futebol.
Sabe aquele sonho clássico de todo garoto? Estádio lotado, torcida gritando seu nome, vestir a camisa de um grande time… Eu sou desses. Sempre fui. Treino todos os dias como se minha vida dependesse disso. E talvez dependa mesmo. Neste fim de semana, tenho um teste para um time importante. Minha chance. Meu momento.
Talvez por isso eu tenha decidido fazer algo diferente naquela noite.
Resolvi preparar um jantar especial. Algo simbólico. Como se estivesse marcando o início de uma nova fase. Tomei banho, me arrumei, parei em frente ao espelho e estampei um sorriso confiante.
— Olá, bonitão — falei para o meu reflexo.
Comecei a rir da minha própria palhaçada e saí do apartamento.
Quando fechei a porta, ouvi um barulho ao lado. Virei o rosto… e lá estava ela.
Amanda.
Minha vizinha.
Morena, cabelos cacheados que pareciam ter vida própria, olhos verdes hipnotizantes e um corpo em forma de violão. Minha primeira paixão. O tipo de mulher que é o sonho de qualquer homem… imagina de um adolescente como eu.
Ela me viu e abriu um sorriso que parecia iluminar o corredor inteiro.
— Olá, Edu — disse ela.
Por um segundo, eu me perdi completamente nos olhos dela.
— Oi, Amanda — consegui responder, tentando parecer normal.
— Vai a algum lugar?
— Vou sim… Acho que vou fazer algo especial para o jantar. Então estou indo ao supermercado.
Ela sorriu ainda mais.
— Olha que coincidência… Eu estava pensando a mesma coisa. Vamos juntos?
Meu cérebro simplesmente parou de funcionar.
— O que você quiser, Amanda.
Ela soltou uma risadinha divertida, e eu senti meu rosto esquentar.
Caminhamos lado a lado pelo corredor, conversando sobre coisas simples — comida, receitas, o calor da semana. Mas, para mim, parecia algo muito maior. Cada palavra dela era importante. Cada sorriso, uma vitória.
E talvez seja aqui que a história fique complicada.
Amanda vai fazer 34 anos mês que vem.
E é casada.
