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Chapter 2 - Capítulo 2 — Ecos da Derrota

O som do impacto ainda ecoava nos ouvidos de Kael Vharon.

​Mesmo no silêncio da cela fria para onde fora jogado, o barulho dos ossos quebrando e das risadas dos discípulos se repetia em sua mente como um ciclo de tortura.

​Ele abriu os olhos lentamente. A visão estava turva, mas ele reconheceu o teto de pedra úmida das masmorras da Seita do Abismo. O outrora prodígio, o Segundo Jovem Mestre, agora estava cercado pelo cheiro de mofo e desespero.

​Ele tentou se sentar, mas um grito mudo travou em sua garganta. Seu peito parecia uma cratera. O golpe final de Draeven Korvax — a técnica Palma do Vácuo Azul — deveria ter apenas nocauteado Kael, mas Draeven tinha sido cruel. Ele havia mirado para destruir os meridianos de Kael.

​— Aquele desgraçado... — Kael sibilou, o sangue seco grudando em seus lábios.

​Ele olhou para suas mãos. Tremiam.

​Ele sempre acreditou que o cultivo era uma escada de luz. Dez Reinos, dez camadas de progresso constante. Ele estava na 9ª Camada do Reino da Tempera Mortal, a um passo de alcançar o Reino da Abertura de Meridianos. Ele era o orgulho da linhagem Vharon.

​E agora? Ele sentia o Qi em seu corpo esvaindo-se como água em um jarro quebrado.

​"Eu perdi tudo?", ele se perguntou, o pânico começando a subir.

​Mas, enquanto o Qi azul da seita desaparecia, algo novo ocupava o espaço vazio.

​Kael fechou os olhos e focou em seu Dantian. Lá, onde deveria haver apenas cinzas, ele viu uma centelha. Não era a luz clara que a Seita do Abismo pregava. Era uma mancha de escuridão absoluta, uma chama que não emitia luz, mas que parecia devorar a própria sombra da cela.

​"O que é isso?"

​Ao tocar mentalmente aquela chama, Kael sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha. Não era apenas força. Era uma sensação de domínio.

​Lembrou-se do rosto de Draeven. A expressão de tédio. A forma como as pessoas que o chamavam de "Mestre Kael" um dia antes, foram as primeiras a cuspir em seu nome assim que ele caiu.

​A dúvida que o consumia começou a ser substituída por algo mais rígido. Mais frio.

​— Se o caminho da luz me falhou... — Kael apertou o punho, ignorando a dor lancinante nos tendões — ...então eu caminharei pelo Abismo.

​Ele se arrastou até a parede da cela e encostou as costas na pedra gelada. O coração, que antes batia em desespero, começou a pulsar em um ritmo lento e pesado.

​Por um segundo, ele olhou para o reflexo de seu rosto em uma poça de água no chão da cela.

​Seus olhos não eram mais os mesmos. Havia um brilho metálico, uma profundidade abissal que não pertencia a um jovem da sua idade. Ele não parecia mais um discípulo derrotado; parecia um predador que acabara de descobrir suas presas.

​— Draeven Korvax... — o nome saiu como uma maldição. — Você queria que eu fosse o seu degrau?

​Ele sentiu a chama negra em seu interior reagir, aquecendo seus ossos quebrados com um calor sombrio.

​— Você acabou de me dar o mundo inteiro para queimar.

​Kael não percebeu, mas nas sombras além das grades de sua cela, um par de olhos antigos o observava com um interesse renovado. Alguém que sabia que a técnica de Draeven era uma farsa, e que o que Kael acabara de despertar... era o fim de uma era.

​A guerra pelo topo dos 10 Reinos não havia terminado. Para Kael Vharon, ela estava apenas começando.

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