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Chapter 1 - Capítulo 1 — A Queda de Kael Vharon

O chão frio de pedra tocava o rosto de Kael Vharon.

​A poeira ainda subia lentamente, pairando sobre o pátio central da Seita do Abismo, como se o próprio mundo quisesse assistir àquela humilhação em câmera lenta.

​— Levanta.

​A voz veio seca. Fria. Sem um pingo de hesitação.

​Kael tentou mover o braço, mas seus músculos pareciam feitos de chumbo derretido. Cada fibra do seu corpo gritava. O golpe final de Draeven Korvax não tinha apenas quebrado seus ossos; parecia ter estilhaçado seu próprio orgulho.

​— Esse é o prodígio da família Vharon? — Uma voz zombeteira veio da multidão de discípulos.

​— O antigo Número Dois... Olhe para ele. Parece um verme se contorcendo na lama.

​Kael apertou os dentes. O gosto metálico do sangue inundava sua boca. Ele forçou a visão, tentando focar na figura parada a poucos metros dele.

​Draeven Korvax. O Número Um.

​Draeven permanecia impecável. Sua túnica negra e azul, as cores da Seita do Abismo, não tinha sequer um vinco. Ele não estava ofegante. Ele nem sequer parecia ter se esforçado.

​— É só isso, Kael? — Draeven perguntou, a calma em sua voz sendo mais dolorosa que qualquer soco. — Eu realmente achei que você fosse durar mais. Mas parece que o seu cultivo é tão vazio quanto o nome da sua linhagem.

​Silêncio.

​Kael tentou se apoiar nos cotovelos. Ele era o gênio que todos admiravam. Ele era o homem que deveria liderar a Seita de volta à glória. E agora, diante de milhares de olhos, ele era apenas o degrau que Draeven usou para alcançar o topo.

​— Acabou — sentenciou Draeven, virando as costas. — O título de Número Dois agora pertence a alguém que realmente tenha força. Levem esse lixo daqui.

​Dois guardas da seita se aproximaram. Eles não tiveram a gentileza que um dia dedicaram a Kael. Suas mãos agarraram os ombros feridos de Kael com força bruta, arrastando-o pelo chão de pedra.

​"Eu não sou... fraco...", o pensamento de Kael era um sussurro desesperado em sua mente.

​Enquanto era arrastado, Kael viu o emblema da Seita do Abismo esculpido no grande portão. Uma chama azul estilizada. A técnica que ele treinou a vida inteira. A técnica que, naquele momento, ele percebeu ser insuficiente.

​Foi então que aconteceu.

​No momento de sua maior vergonha, quando o último vestígio de seu Qi azul se dissipou, algo no fundo de sua alma... estalou.

​Uma centelha surgiu. Mas não era azul.

​Era negra. Tão escura que parecia um buraco na realidade. Não era quente como o fogo comum; era pesada, fria e faminta.

​A pedra sob os dedos de Kael, que ainda arrastavam pelo chão, rachou sob uma pressão invisível.

​Eu voltarei...

​O pensamento não era mais um lamento. Era uma promessa.

​E então, sob o peso dessa nova e sinistra energia, a consciência de Kael Vharon finalmente mergulhou na escuridão.

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