CAPÍTULO 12: O LABORATÓRIO DOS DEUSES IMPERFEITOS
O corredor que se abria além da porta circular de contenção não tinha a rusticidade esperada de uma estrutura subterrânea abandonada. Era clínico, quase cirúrgico em sua precisão arquitetônica. As paredes eram de pedra polida negra, mas não basalto natural - era algo processado, tratado com runas de contenção que pulsavam fracamente com luz azulada a cada três segundos, como um coração gigantesco e doente batendo nas profundezas da terra.
O chão era de metal prensado, perfeitamente nivelado, com pequenas ranhuras de drenagem espaçadas a intervalos regulares. O som dos passos da equipe ecoava de forma estranha, abafado mas amplificado ao mesmo tempo, como se o próprio corredor estivesse respirando ao redor deles.
O cheiro era a primeira verdadeira agressão sensorial. Não era apenas decomposição química ou reagentes farmacêuticos - havia camadas. A base era formol e éter médico, aquele odor hospitalar que gruda na garganta. Por cima, algo orgânico e pútrido, como carne deixada em água parada por dias. E permeando tudo, um cheiro metálico e adocicado que Leo não conseguia identificar imediatamente, mas que fazia seu estômago revirar com uma familiaridade instintiva e perturbadora.
Sangue. Muito sangue. Mas não sangue fresco de feridas - sangue velho, processado, destilado em algo diferente.
Tharon Sylvaeon, o Tanque Élfico que liderava a formação, ergueu a mão fechada - o sinal universal para "pare e observe". Sua armadura de madeira viva, que normalmente emitia um brilho verde-dourado saudável de vida vegetal, estava começando a escurecer nas bordas, as folhas que cresciam naturalmente de seus ombros murchando levemente como se estivessem sendo expostas a algo tóxico no próprio ar.
"O ar está contaminado," Tharon sussurrou, sua voz normalmente profunda e reconfortante agora tensa e controlada. "Não é veneno no sentido tradicional - não vai nos matar em minutos. Mas há algo errado na composição. É como se... como se houvesse vida demais no ar. Vida artificial."
Luna Selvestra, posicionada logo atrás de Kazuo, fechou os olhos e estendeu sua percepção mágica. Sua Magia das Trevas não era apenas sobre criar escuridão ou anular luz - era sobre sentir ausências, sobre detectar onde a realidade estava sendo distorcida ou suprimida. E aqui, neste corredor, ela sentia o oposto do que sua magia normalmente detectava.
"Não há ausência aqui," Luna murmurou, seus olhos lilases se abrindo com uma expressão perturbada que Bob nunca havia visto nela antes. "Há... excesso. A mana no ar está saturada. Não é mana natural como a que sentimos em combate ou nos cristais da Guilda. É mana forçada, comprimida em algo que não deveria existir naturalmente. Como se alguém tivesse pegado a essência de dez pessoas e espremido em uma única gota."
Bob Caelun, sentindo sua própria sensibilidade elemental reagir, deixou uma pequena corrente de Vento fluir de seus dedos - um truque básico de sensoriamento que Ainar havia perfurado nele durante o mês de treinamento infernal. O Vento deveria se dispersar naturalmente, seguindo os padrões de pressão do ar. Em vez disso, a corrente se contorceu, dobrou-se sobre si mesma de formas não-naturais, como se estivesse evitando algo invisível.
"A estrutura do ar está errada," Bob disse, sua voz grave carregando uma certeza sombria. "Há bolsões de pressão que não deveriam existir. Como se houvessem... objetos invisíveis ocupando espaço."
Leo Veyndril, mantendo sua posição logo à frente de Lyris na retaguarda da formação, fechou os olhos e ativou aquela percepção que Ainar havia torturado dele durante semanas - a Previsão Ativa que não mostrava o futuro exato, mas os padrões de probabilidade, os fluxos de causa e efeito que ainda não haviam se manifestado completamente.
O que ele sentiu o fez abrir os olhos bruscamente, sua respiração acelerando.
"Lyris," Leo disse, virando-se para a líder da missão, sua voz baixa mas urgente. "Minha previsão está... distorcida. Normalmente consigo sentir três, quatro, às vezes cinco caminhos prováveis para o próximo minuto. Aqui estou sentindo dezenas. Centenas. Como se houvesse múltiplas realidades se sobrepondo neste espaço. Isso não é normal. Isso não é... natural."
Lyris Nereval, a Maga da Água e comandante tática da missão, permaneceu em silêncio por três segundos completos - uma eternidade em situação de combate. Seus olhos cinza-claros, normalmente calmos e calculistas, mostravam algo raro: incerteza genuína. Ela havia liderado dezenas de missões Rank A, havia enfrentado dragões menores, liches, cultistas fanáticos. Mas isto era diferente.
Isto não era um inimigo. Era uma perversão da ordem natural.
"Avançamos," Lyris finalmente decidiu, sua voz recuperando aquela autoridade de aço. "Mas mudança no protocolo. Tharon, você não é mais vanguarda pura - você é barreira móvel. Qualquer coisa que se mova em nossa direção, você intercepta primeiro. Kazuo, seu trabalho não é mais neutralizar armadilhas. É neutralizar qualquer coisa que passe por Tharon. Luna, Bob, mantenham formação cerrada. Leo, você fica colado em mim. Sua previsão é nossa única vantagem tática aqui."
A formação avançou, agora mais compacta, mais tensa, cada membro hiperconsciente dos outros.
O corredor se estendia por aproximadamente cinquenta metros antes de se abrir em uma antecâmara. A mudança de espaço era dramática - de corredor apertado para um ambiente que parecia ser uma sala de preparação médica. Havia três mesas cirúrgicas de metal, todas manchadas com algo marrom-escuro que claramente era sangue seco há dias ou semanas. Instrumentos cirúrgicos estavam espalhados sem organização - serras de osso, bisturis de mana, agulhas de extração que ainda tinham resíduos cristalizados em suas pontas.
Mas o que dominava a sala eram os frascos.
Dezenas deles, talvez uma centena, organizados em prateleiras de vidro reforçado que cobriam toda a parede esquerda da antecâmara. Cada frasco tinha aproximadamente trinta centímetros de altura e estava cheio de um líquido translúcido levemente esverdeado que brilhava muito fracamente com luz própria.
E dentro de cada frasco, flutuando como espécimes preservados, havia órgãos.
Não órgãos comuns - órgãos que claramente não eram humanos, ou pelo menos não completamente humanos. Um coração com quatro câmaras em vez de quatro, pulsando muito lentamente mesmo preservado. Um fígado que tinha uma coloração azulada e era grande demais, do tamanho de uma cabeça de criança. Pulmões conectados de forma errada, com tubos extras saindo deles. Um cérebro - ou algo que parecia um cérebro - que tinha uma textura cristalina, como se partes dele tivessem sido substituídas por quartzo vivo.
Bob virou a cabeça e vomitou, o som ecoando obscenamente no silêncio clínico da sala. Ele havia visto morte antes - havia matado Goblins e enfrentado Orcs. Mas isto era diferente. Isto era profanação científica.
Luna, com sua frieza tática treinada, forçou-se a examinar os frascos mais de perto, lendo as etiquetas escritas à mão em caligrafia médica apertada:
"Espécime 7-A: Coração híbrido, taxa de rejeição 34%, falha na integração elemental."
"Espécime 12-C: Pulmão aprimorado, capacidade de mana aumentada em 200%, colapso estrutural após 6 horas."
"Espécime 23-B: Cérebro modificado, processamento tático aumentado, perda total da personalidade base."
"Eles estavam... testando," Luna disse, sua voz normalmente controlada tremendo levemente. "Não em animais. Em pessoas. Estas são partes de pessoas."
Kazuo Hayashima, o Espadachim Arcano que até agora havia permanecido em silêncio absoluto, finalmente falou, sua voz suave mas carregada de uma raiva gelada que Leo nunca havia ouvido de alguém de Rank S.
"Isto não é pesquisa. É atrocidade sistematizada."
Tharon, recuperando-se do choque inicial, apontou para o fundo da antecâmara, onde uma segunda porta - esta muito maior, do tipo de porta de cofre bancário com múltiplas travas de contenção - estava parcialmente aberta.
"O laboratório principal está além," Tharon disse. "E qualquer coisa que exigisse esta sala como preparação... não quero imaginar o que está lá dentro."
Lyris, forçando sua mente tática a superar o horror moral, traçou rapidamente as próximas ações.
"Luna, Bob - vocês dois vão desativar qualquer sistema de alarme ou contenção mágica naquela porta. Não quero que Vallas tenha um segundo de aviso se ele estiver lá dentro. Kazuo, Tharon, assim que a porta estiver segura, vocês entram primeiro. Leo e eu cobrimos retaguarda e fornecemos suporte tático."
Luna e Bob se aproximaram da porta de cofre. Luna estendeu suas mãos, deixando a Magia das Trevas fluir em fios finos e quase invisíveis, procurando por runas de alarme ou selos de contenção. Bob, usando sua sensibilidade Tri-Elemental, procurava por armadilhas elementais - explosões de fogo programadas, descargas elétricas de contenção.
O que eles encontraram foi perturbador em sua simplicidade.
"Não há nada," Bob disse, confuso e alarmado. "Nenhuma armadilha. Nenhum alarme. A porta está apenas... aberta."
"Ele quer que entremos," Leo percebeu de repente, a previsão batendo nele como um martelo. "Vallas sabe que estamos aqui. Ele desativou as defesas propositalmente. Isto é um convite."
Lyris apertou os lábios, processando rapidamente. "Armadilha ou arrogância?"
"Ambos," Leo respondeu. "Ele acha que o que tem lá dentro é prova suficiente de que está certo. Ele quer que vejamos."
"Então vamos dar a ele o que quer," Lyris decidiu, sacando uma adaga curva de prata que brilhava com mana de Água condensada. "Mas nos termos da Master X. Tharon, abra a porta. Kazuo, esteja pronto para cortar qualquer coisa que se mova nos primeiros três segundos. Todos os outros, formação de assalto assim que tivermos visão clara."
Tharon colocou suas mãos massivas contra o metal frio da porta de cofre e empurrou. A porta era pesada - facilmente várias toneladas de aço reforçado - mas a força pura do Tanque Élfico combinada com a magia de vida de sua armadura fez a porta girar lentamente sobre dobradiças que gemeram com um som que ecoou como um grito de metal agonizante.
O que foi revelado além roubou o ar dos pulmões de todos os seis membros da equipe.
O laboratório principal era vasto - tinha pelo menos cinquenta metros de comprimento e trinta de largura, com um teto abobadado que subia quinze metros, coberto de runas de contenção que brilhavam com luz constante e fria. O chão era o mesmo metal prensado, mas aqui estava limpo, polido até brilhar, refletindo as dezenas de esferas de luz mágica que flutuavam presas no teto.
Mas não era a arquitetura que importava.
Era o conteúdo.
No centro da sala, organizados em uma formação semicircular deliberada, havia quatro tanques cilíndricos verticais de vidro reforçado. Cada tanque tinha aproximadamente três metros de altura e dois de diâmetro, preenchidos com aquele mesmo líquido esverdeado e brilhante que estava nos frascos da antecâmara, mas em quantidade muito maior - centenas de litros do fluido que borbulhava suavemente com bolhas que subiam lentamente.
E dentro de cada tanque, suspensos por tubos e cabos que se conectavam a seus corpos em dezenas de pontos, havia figuras humanoides.
Não eram exatamente humanas. Não eram exatamente monstruosas. Eram algo que existia em um vale perturbador entre os dois - uma perfeição anatômica que era quase humana demais, perfeita demais, faltando aquelas pequenas imperfeições e assimetrias que fazem um rosto ou corpo parecer natural e vivo.
O primeiro tanque, à extrema esquerda, continha uma figura masculina jovem, talvez com aparência de vinte anos, com cabelos loiros cortados curtos e uma constituição atlética mas não excessivamente musculosa. Seus olhos estavam fechados, mas havia uma serenidade em seu rosto que era quase angelical. Tatuagens de runas cobriam seus braços em padrões complexos que brilhavam alternadamente em azul e branco. Uma placa de metal na base do tanque tinha uma palavra gravada em letras grandes: BALAR.
O segundo tanque abrigava uma figura feminina de presença imediatamente mais intensa. Cabelos vermelhos longos flutuavam ao redor de seu rosto no líquido de preservação, criando uma aura flamejante mesmo submersa. Seu corpo era mais musculoso que o do primeiro, com cicatrizes rituais visíveis em seus ombros e peito - não cicatrizes de feridas, mas padrões deliberadamente cortados na pele e depois deixados curar em formatos específicos. Mesmo inconsciente, havia uma tensão em seus músculos, como se ela estivesse constantemente pronta para lutar. A placa dizia: ANARA.
O terceiro tanque continha algo que fez Luna dar um passo involuntário para trás. Era uma figura feminina de beleza tão perfeita que era quase doloroso olhar - como tentar encarar o sol. Cabelos negros longos e lisos, pele de uma palidez alabastrina perfeita sem uma única imperfeição, traços faciais de uma simetria matematicamente impossível em humanos naturais. Ela usava algo que parecia ser uma mortalha de seda branca que flutuava graciosamente no líquido. Mas era seus olhos - mesmo fechados - que perturbavam. Havia pequenas runas gravadas nas pálpebras, sugerindo que algo havia sido feito aos olhos em si. A placa: STARIEL.
O quarto e último tanque era diferente dos outros três de uma forma que Leo não conseguia definir imediatamente, mas que fazia seu instinto de sobrevivência gritar. A figura dentro era masculina, alta, magra de uma forma quase cadavérica, com pele tão pálida que parecia translúcida, revelando veias escuras como teias de aranha sob a superfície. Cabelos grisalhos longos flutuavam ao redor de um rosto que era belo de forma perturbadora - os traços eram delicados, quase élficos, mas havia uma qualidade de morte neles, como se a figura fosse um cadáver lindamente preservado. Ao contrário dos outros três, este não tinha aparência pacífica. Mesmo inconsciente, seu rosto estava contorcido em uma expressão de sofrimento ou talvez contemplação sombria. A placa: MORVATH.
E atrás dos quatro tanques, de pé em um estrado elevado cercado por mesas de trabalho cobertas de pergaminhos, cristais de mana, instrumentos cirúrgicos e equipamento de alquimia, estava Reitor Orin Vallas.
Ele não estava correndo. Não estava tentando esconder evidências. Ele estava simplesmente esperando, as mãos posicionadas calmamente atrás das costas, vestindo não seus robes formais de Reitor mas um avental de laboratório manchado de substâncias químicas e sangue. Seus olhos castanhos, que na Universidade haviam mostrado nervosismo e mentira, agora mostravam apenas uma calma absoluta.
A calma de um homem que acredita completamente que está certo.
"Master X. Astral Vanguard." A voz de Vallas ecoou no vasto laboratório, clara e educada, como se estivesse recebendo convidados para um chá acadêmico. "Confesso que esperava mais tempo antes da descoberta, mas admito - impressionante trabalho de investigação. Particularmente você, jovem Veyndril. Usar a lógica probabilística contra minhas próprias mentiras burocráticas foi... elegante."
Lyris deu um passo à frente, sua postura de combate ativa mas controlada, a adaga de prata ainda na mão. Sua voz saiu fria como gelo de inverno.
"Reitor Orin Vallas, pela autoridade da Guilda Master X e sob ordem direta do Mestre Draven Solari Braghelius, você está detido sob acusação de sequestro, assassinato, experimentação proibida em seres sencientes, e crimes contra a ordem natural da vida. Você tem o direito de se render pacificamente. Esta é sua única oportunidade."
Vallas riu. Não foi uma risada de loucura ou histeria - foi uma risada genuína de diversão intelectual, como um professor ouvindo um aluno inteligente dizer algo precoce mas fundamentalmente equivocado.
"Direitos. Ordem. Crimes. Que vocabulário interessante, Mestra Nereval." Vallas desceu do estrado lentamente, seus passos ecoando no metal polido. "Deixe-me fazer uma pergunta filosófica antes que vocês tentem me prender ou me matar - qual provavelmente é o plano. Vocês sabem o que acontecerá nos próximos dez anos?"
Ele não esperou resposta, continuando com a paixão fervorosa de um verdadeiro fanático que finalmente tem uma audiência para seu manifesto.
"O Império do Leste está mobilizando. Os Orcs das Estepes Áridas estão se unificando sob um único líder pela primeira vez em dois séculos. As tribos de Goblins que eram pragas isoladas estão começando a demonstrar táticas de grupo sofisticadas - vocês mesmos testemunharam isso em Campanus. E o que faz nosso glorioso Reino? Confiamos em guildas de aventureiros. Em magos talentosos mas fundamentalmente limitados pela biologia humana. Em táticas que não mudaram em cem anos."
Vallas apontou para os quatro tanques, seu gesto quase reverente.
"Estes são a resposta. Não são monstros - são a próxima geração. Humanos aprimorados, otimizados, liberados das limitações patéticas que a natureza nos impôs. Cada um foi construído com um propósito específico, usando os melhores componentes de centenas de voluntários—"
"VOLUNTÁRIOS?" Bob rugiu, dando um passo à frente antes que Tharon o segurasse pelo ombro. "Aquelas pessoas na antecâmara? Aqueles órgãos em frascos? Eles se VOLUNTARIARAM para serem desmontados?"
Vallas teve a decência de parecer genuinamente confuso pela raiva de Bob.
"Claro que sim. Bem, tecnicamente suas famílias se voluntariaram. Doentes terminais, criminosos condenados, pessoas sem futuro - ofereci a eles algo que a sociedade havia negado: propósito. Suas mortes não foram desperdiçadas. Cada órgão, cada gota de sangue, cada pedaço de tecido neural contribuiu para algo maior que eles jamais poderiam ter sido individualmente."
Leo sentiu a bile subir em sua garganta. A lógica de Vallas era repugnante precisamente porque era lógica - tinha uma estrutura interna consistente, um raciocínio que funcionava se você aceitasse as premissas fundamentais. Era assim que as maiores atrocidades da história aconteciam - não através da loucura caótica, mas através da sanidade pervertida.
Kazuo, que até agora havia permanecido imóvel como uma estátua, finalmente se moveu - um único passo à frente que fez o ar ao seu redor vibrar com mana comprimida.
"Suficiente. Lyris, permissão para neutralizar o alvo."
Mas Vallas levantou a mão, e seu sorriso se ampliou.
"Ah, mas eu ainda não terminei a apresentação. Vocês vieram até aqui, atravessaram minha antecâmara de horrores, enfrentaram seus preconceitos morais para chegar ao meu laboratório. O mínimo que posso fazer é demonstrar por que tudo isso valeu a pena."
Vallas se virou para o console de controle atrás dele, seus dedos dançando sobre cristais de controle incrustados na superfície.
"Deixem-me apresentar adequadamente meus filhos. Minha obra-prima. O futuro da humanidade."
Os quatro tanques começaram a drenar simultaneamente. O líquido esverdeado começou a descer lentamente, revelando mais dos corpos suspensos dentro. Os tubos e cabos começaram a se desconectar com sons molhados e orgânicos que fizeram o estômago de Leo revirar novamente.
"BALAR," Vallas anunciou, apontando para o primeiro tanque onde o jovem loiro estava começando a despertar. "Construído para ser o Anti-Mago definitivo. Cada célula do seu corpo está impregnada com runas de dissipação e anulação. Ele não apenas resiste à magia - ele a destrói ao toque. Combinado com afinidade elemental de Tempestade, ele pode criar zonas onde nenhuma magia funciona exceto a dele próprio. É um herói construído especificamente para derrotar tiranos mágicos."
Os olhos de Balar se abriram. Eram de um azul elétrico impossível, brilhando com luz própria.
"ANARA," Vallas continuou, indicando o tanque da mulher de cabelos vermelhos. "Minha Valquíria. Construída em torno do conceito de Guerra e Fúria controlada. Seu sistema nervoso foi reconstruído para aumentar a produção de adrenalina em 500%. Seus músculos foram reforçados com fibras de cristal vivente. Ela pode lutar por 72 horas ininterruptas sem fadiga. E sua magia... ah, sua magia é pura destruição cinética. Cada emoção que ela sente se torna poder físico."
Anara abriu os olhos - vermelho-sangue, literalmente, como se o próprio sangue estivesse brilhando por trás das íris.
"STARIEL," e aqui a voz de Vallas ganhou um tom quase reverente. "Minha criação mais complexa. Construída em torno do conceito de Amor, Sedução e Manipulação social. Seu cérebro foi aprimorado para processar micro-expressões faciais em tempo real. Ela pode ler emoções como vocês leem palavras. Combinado com sua magia de Encantamento e combate corpo-a-corpo aprimorado, ela é a infiltradora perfeita. Pode seduzir, manipular ou destruir qualquer alvo social."
Stariel abriu os olhos - violeta profundo, hipnóticos de uma forma que fez Luna desviar o olhar instintivamente.
"E finalmente, MORVATH," Vallas apontou para o tanque com a figura cadavérica. "Meu necromante vivo. Construído em torno dos conceitos de Morte e Decadência. Ele não controla mortos - ele é morte. Cada célula do seu corpo está em um estado perpétuo entre vida e morte. Ele pode drenar força vital de inimigos, deteriorar matéria orgânica ao toque, e... bem, vocês verão."
Morvath abriu os olhos. Eram completamente negros, sem branco, sem íris - apenas vazio absoluto que parecia sugar a luz.
Os quatro tanques agora estavam completamente drenados. As figuras dentro começaram a se mover, músculos se contraindo, pulmões expandindo com primeiras respirações, tubos finais se desconectando com sons molhados.
"Eles são perfeitos," Vallas sussurrou, lágrimas genuínas de orgulho científico descendo por seu rosto. "Cada um deles é mais forte que qualquer aventureiro Rank A. Juntos, eles poderiam lutar contra um dragão adulto e vencer. E eu posso fazer mais. Centenas deles. Milhares, com recursos adequados. Imagine - um exército de seres aprimorados, cada um especializado para uma função específica. O Reino seria invencível."
Lyris, processando rapidamente a ameaça tática, deu a ordem que todos estavam esperando.
"Protocolo de eliminação. Alvos prioritários: os quatro Homúnculos. Alvo secundário: Vallas vivo para interrogatório. Tharon, Kazuo - alvos um e dois. Luna, Bob - alvos três e quatro. Leo e eu fornecemos suporte e controlamos Vallas. AGORA!"
