WebNovels

Master x

mandruva_King
7
chs / week
The average realized release rate over the past 30 days is 7 chs / week.
--
NOT RATINGS
412
Views
Synopsis
Leonardo Veyndril entrou na Guilda Master X achando que seria apenas mais um mago. Ele estava errado. Quando descobre que sua magia não segue as regras do mundo — e que seu poder funciona como um sistema caótico que reage à morte e ao desespero — Leo se torna uma variável perigosa demais para ignorar. Guildas, nobres e deuses observam. Porque neste mundo, quem controla o sistema… governa o futuro.
VIEW MORE

Chapter 1 - MASTER X

CAPÍTULO 1: O PREÇO DO FERRO E DO SEGREDO

O Vale de São Arcan não cheirava a flores ou a promessas, mas a ferro, poeira de cristal de mana e a um ranço salgado de suor antigo. No centro da capital, a sede da Guilda Master X não era um castelo, mas uma fortaleza: um monolito severo de pedra cinza-escura que absorvia a luz do sol, prometendo apenas disciplina e dor.

Leonardo Veyndril era um dos três recém-formados da Academia Legacy a encarar o pátio de obsidiana. Sua idade mal beirava os dezoito anos. Ele não tinha a massa muscular de um veterano, mas o corpo era esguio e tenso como uma corda de arco. O cheiro de medo e ambição pairava sobre a multidão de aspirantes de todas as raças — anões, elfos, e humanos de províncias distantes.

Sob a túnica de viagem, um calor sutil pulsava contra o peito de Leo. Era Caramelo, seu familiar arcanista. O gato alaranjado tinha duas caudas grossas e asas reais, não translúcidas, mas membranosas e firmes, dobradas como um morcego adormecido. A criatura era a manifestação pura e caótica do Arcano 0 – O Louco, o poder que eles guardavam sob juramento de silêncio.

Ao lado de Leo, Luna Selvestra caminhava com uma graça felina. Os olhos lilases dela não fitavam o chão, mas sim as sombras projetadas pela fortaleza. Luna exalava uma quietude fria, um sinal da sua inabalável tática e do domínio de sua Magia das Trevas. Ela era a razão, o bisturi afiado do trio.

— A ansiedade da multidão é um recurso desperdiçado — murmurou Luna, a voz baixa, quase inaudível sob o murmúrio dos aspirantes. — Eles se preocupam com a força. Nós nos preocupamos com a geometria do fracasso.

Bob Caelun era a força silenciosa. Ele tinha o corpo largo, construído para absorver choque, e ombros que pareciam carregar o peso da montanha. Seu poder tri-elementar (Raio, Água, Vento) era a âncora do trio.

— Mantenham a sincronia da Academia — disse Bob, os olhos fixos na entrada do Grande Salão. — O Mestre Draven não tolera variações.

Leo sentiu o medo gélido na ponta dos dedos. Ele não era um mestre da força. Ele era um mestre da adaptação. Sua família, deixada para trás no Vale de Campanus, era a âncora emocional. Luna e Bob eram as âncoras da vida. O peso de sua potencial ascensão (ou desgraça) era suportado pela conexão silenciosa do trio e pelo segredo que compartilhavam.

O Grande Salão era uma câmara subterrânea. As tochas de mana lançavam luzes amarelas, fazendo as sombras dançarem sobre as paredes de basalto. O ar era espesso, com cheiro de mofo e magia. No centro, o portal do Labirinto Arcano girava lentamente, um círculo de quartzo verde pulsante, a boca da provação.

Em frente ao portal, imponente, estava Throgar "Murro de Bronze" Durnhalk, o Vice-Mestre. Ele era um anão que desafiava a gravidade: baixo, mas com uma largura de ombros que rivalizava com a de uma porta de celeiro. Sua barba era uma cascata de arame de aço trançado com anéis de bronze.

Ele estava de colete de couro, as Manoplas de Bronze brilhando. A expressão em seus olhos castanhos era de desconfiança perpétua.

— PAREM DE MIMIMI, SUAS LARVAS DE ACADEMIA! — O grito de Throgar ressoou no salão, um rugido que parecia vir das profundezas da terra. O som fez a poeira mágica nos cantos se levantar. — Vocês são a nova leva de carne fresca que pensa que três anos de estudo valem alguma coisa aqui. Não valem. Aqui, só vale o que vocês podem provar nos próximos vinte minutos.

Throgar gesticulou para um mapa tático que surgiu em uma laje de mana.

— O Labirinto Arcano tem três malditas fases. Fase Um: A Batalha. Criaturas Rank C e B. Queremos coordenação. Fase Dois: A Astúcia. Quebra-cabeças e armadilhas. Queremos mente e percepção. Fase Três: O Julgamento. O Chefe Rank A. Queremos tudo o que vocês têm.

O anão bateu a Manopla no basalto. Doom.

— As regras são forjadas no ferro, e não em pergaminho: recursos limitados. A Master X não gasta mana com idiotas. Permanecer unidos. O Labirinto é projetado para forçar a dispersão. Falhar em ajudar é falhar no Teste. E a regra suprema, que vocês levarão para a tumba se falharem: O Fracasso Não É Uma Opção. Entendam isso.

Luna, com a discrição de quem havia dominado a arte da Magia das Trevas, memorizava a topografia do Labirinto no mapa. Bob respirava ritmicamente, concentrando o Raio em sua pele.

Leo sentiu o Arcano V – O Hierofante pulsar, tentando trazer ordem e propósito ao seu medo. Ele olhou para Throgar e respondeu, a voz carregada de uma calma que era quase um desafio.

— Entendido, Vice-Mestre.

Throgar apenas grunhiu, mas o gesto foi o suficiente. Ele deu permissão.

Enquanto Leo, Luna e Bob se moviam para o portal, a perspectiva mudou, subindo para a galeria de observação, um nicho de pedra escura acima do portal.

Aqui, o peso da Master X era palpável.

Draven Solari Braghelius, o Mestre, estava na frente. Seu rosto, marcado por uma barba por fazer e as cicatrizes de fogo dracônico, era uma máscara de seriedade esgotada. Ele tinha 61 anos, mas o efeito do Aether em seu corpo o fazia parecer um homem de meia-idade. Seus olhos cinza-prateados estavam fixos em Leo.

— O prodígio de Campanus — disse Draven, sua voz grave e baixa. — Ele foi o único a ser convidado diretamente. Ele não parece um lutador.

— Não julgue a arma pelo acabamento, Mestre — respondeu Ainar Stellarion, o instrutor mais jovem e poderoso, recostado na parede com o desinteresse de quem já havia visto o fim do universo. — O garoto é um engodo. Sinto um ruído de mana ao redor dele, uma assinatura anômala que ele tenta disfarçar com magias de controle. É uma invocação ou um poder que não deveria ter sido selado. É um Caos que ele está tentando controlar com sua magia elementar.

— Caos é ineficiente — retrucou Rhaegor Mallik, o meio-elfo, anotando em um caderno com a ponta de um carvão. — Eu analisei a maga, Luna Selvestra. Ela é a razão. Mas o prodígio é quem a comanda. Observem a maneira como ele se move. Não é reflexo. É previsão. Ele está vendo a trajetória de nossas armadilhas um microssegundo antes de elas se ativarem. Ele usa seu controle elemental para ser um Mago de Batalha de Campo, não um DPS puro.

— Previsão de quê? De onde? — Fiára Ignisborne bufou, parecendo pronta para pular no Labirinto. Ela odiava a análise fria. — Eu quero ver se ele sangra! Ele é magrelo demais. Se ele não demonstrar fúria, se ele não mandar o tal amigo grandalhão para a linha de frente e se sujar, ele é um covarde.

Draven silenciou-os com um gesto de sua mão cicatrizada.

— A Master X precisa de poder que dure, não de força bruta irresponsável, Fiára. O garoto usa o que tem. Vamos ver o quão profundo é o seu controle. Rhaegor, inicie a Fase Um.

O trio atravessou o portal.

O ar do Labirinto era frio, pesado e denso com mana instável. O chão de basalto era irregular. O primeiro teste não foi uma besta, mas a própria Magia Pura.

Uma muralha de chamas vivas, plasma mágico pulsante que rugia como um dragão faminto, se ergueu à frente deles. O calor era imediato, insuportável. A pele de Leo queimava. O suor escorria em suas têmporas.

— Bob, Barreira! Agora! — gritou Luna.

Bob respondeu instantaneamente. Ele puxou as afinidades de Água e Vento que fluíam em seu sangue. Não foi uma luz. Foi uma parede de pressão úmida quase invisível. O fogo lambeu o campo de força, o vapor sibilava, mas a integridade da barreira permaneceu. Bob suportava o peso físico da defesa.

Leo puxou a katana. O metal instantaneamente ficou coberto por uma camada fina de névoa fria. Ele ativou o Arcano I – O Mago, focando na Água e no Ar. Ele não tentaria apagar as chamas (um desperdício fútil de mana), mas sim explorar o ponto fraco da reação.

— Corte de Exaustão! — A lâmina cortou o ar, e uma onda concentrada de vapor frio atingiu o centro da parede de fogo. O fogo retraiu-se em uma fissura controlável, mas a batalha estava drenando a resistência de Bob.

Luna, a maga das Trevas, avançou com os olhos fixos na fenda. Ela não combateu o fogo com água, mas com a ausência. Lançou duas esferas de energia escura que se chocaram contra a fissura. As Trevas não extinguiram o fogo, mas bloquearam a passagem de mana na abertura, criando um túnel temporariamente seguro, frio e úmido.

— VÃO! — ordenou Luna.

Correram através da passagem. O fedor de enxofre e ozônio era nauseante. A parede de fogo se fechou com um estrondo de basalto incandescente atrás deles.

— Fase 1, primeira metade — Luna ofegou, ajustando a capa. — Zero desperdício de mana.

O cenário mudou. Eles estavam em uma câmara de pedra escura, iluminada apenas por cristais de mana azul pálido. E no centro, rugindo, estava a patrulha: três Goblins Rank C de aparência suja e lança de osso e um Troll de Pedra Rank B, que avançava com um pedregulho do tamanho de um torso humano.

O Troll lançou o pedregulho.

— Escudo Total! — gritou Leo.

Bob, exausto do primeiro desafio, respondeu. Ele misturou a defesa de Água/Vento com sua afinidade de Raio. A barreira crepitou, a eletricidade fragmentou o pedregulho em lascas de pedra eletrocutadas. O Troll foi momentaneamente atordoado.

Os Goblins, espertos, aproveitaram para flanquear Luna.

Leo agiu. O momento era de liderança e antecipação. O Arcano II – A Sacerdotisa pulsava em sua mente, dando-lhe a frieza de ver a trajetória da lança do Goblin antes que o monstro a movesse.

Ele não atacou. Ele agiu como um cirurgião.

Sua espada canalizou Gelo. Ele bateu a lâmina no basalto, e o chão congelou em um círculo de três metros, escorregadio e traiçoeiro. Os Goblins gritaram, caindo.

O Troll viu os amigos presos e rugiu, avançando.

— É a hora. Caramelo! — A voz de Leo era um comando silencioso.

O calor de Caramelo sob a túnica cessou. O gato Arcano se desdobrou. Suas asas reais, escuras e membranosas, se abriram por um breve instante.

O Arcano 0 não era sutil. O gato teleportou-se. Não para longe, mas para o alto da cabeça do Troll. Caramelo, o familiar que parecia uma piada de academia, fincou suas garras afiadas, envoltas em uma assinatura de mana caótica, na nuca da criatura.

O Troll de Pedra soltou um berro gutural de agonia, caindo pesadamente no chão congelado, esmagando os Goblins.

O silêncio caiu. Leo respirou fundo, sentindo a exaustão da combinação de Arcanos.

Na galeria de observação, a atmosfera era de tensão. Ninguém usou os nomes secretos.

— Aquele truque de invocação é um desperdício, Draven — Fiára rosnou, cruzando os braços. — Ele usa uma criatura que parece um brinquedo de criança para fazer o trabalho sujo. Ele deveria ter socado aquele Troll.

— A invocação foi precisa — corrigiu Rhaegor, fechando o caderno. Ele estava impressionado. — Ele usou a previsão para imobilizar o inimigo secundário, e a potência caótica da invocação para neutralizar o tanque. Foi o método mais econômico de todos. Economia de mana é sinal de maestria.

Ainar Stellarion riu, balançando a cabeça.

— O Caos do moleque é bem treinado. Mas o Troll era Rank B. Vamos ver se a assinatura de mana dele resiste à pressão real.

Draven observava Leo. O jovem estava exausto, mas a primeira coisa que ele fez foi verificar Luna e Bob, e não suas feridas. Ele estava usando seu controle de influência para gerir o stress.

— Rhaegor — disse Draven, sua voz fria. — O teste de força está concluído. Aumente a dificuldade do Labirinto. Eu quero ver o quão rápido ele consegue se adaptar à pressão e à responsabilidade. A Master X precisa de um líder.

O Mestre Draven havia dado seu veredito. Leo Veyndril era um prodígio, mas o verdadeiro teste era se ele conseguiria transformar seu talento em Autoridade. O chão da câmara onde o trio estava começou a tremer, e o ar ficou seco e rochoso.

A Fase 2 – Câmaras Intermediárias havia começado.