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Chapter 13 - LABORATÓRIO DOS DEUSES IMPERFEITOS PT.2

Mas antes que qualquer um pudesse se mover, os quatro tanques se abriram completamente.

Balar deu um passo para fora, seu corpo ainda gotejando o fluido de preservação, e sorriu - um sorriso de inocência genuína que era aterrorizante em sua incongruência com a situação.

"Pai?" Balar disse, sua voz jovem e cheia de esperança confusa. "Estes são os inimigos que você mencionou? As pessoas que não entendem? Posso... posso ajudar?"

Anara saiu do tanque em uma explosão de movimento violento, seus pés batendo no chão de metal com força suficiente para deixar pequenas deformações no metal. Ela não disse nada, apenas rugiu - um som gutural e animal que vibrou nos ossos de todos no laboratório.

Stariel emergiu graciosamente, como uma deusa saindo de águas sagradas, cada movimento calculado para ser hipnoticamente belo. Ela olhou para a equipe da Master X e Astral Vanguard e sorriu - um sorriso vazio, perfeito, absolutamente sem alma.

"Olá," Stariel disse, sua voz como mel e veneno misturados. "Você são bonitos. Especialmente você." Ela apontou para Leo. "Posso ficar com ele, pai?"

E Morvath simplesmente... surgiu. Não havia outro verbo. Ele estava dentro do tanque, e então estava fora, como se o espaço entre os dois estados simplesmente não existisse. Ele não disse nada. Apenas olhou para a equipe com aqueles olhos de vazio absoluto, e onde seu olhar caía, pequenas plantas mortas no canto do laboratório murcharam ainda mais, virando pó.

Vallas abriu os braços, como um maestro apresentando sua orquestra.

"Meus filhos. Estes visitantes são... testes. Demonstrem suas capacidades. Mas não os matem - ainda preciso deles para dados comparativos."

Os quatro Homúnculos se posicionaram, e Leo sentiu sua Previsão Ativa explodir em sua mente com centenas de caminhos prováveis, quase todos terminando em vermelho - sangue, dor, derrota.

Lyris apertou sua adaga e murmurou apenas uma palavra:

"Sobrevivam."

E então o laboratório explodiu em violência.

Balar moveu-se primeiro, e foi como observar a anti-magia ganhar forma física. Ele não correu - ele parecia se deslizar, seus pés mal tocando o chão. Quando levantou a mão na direção de Tharon, uma onda de energia azul-branca disparou como um raio, mas não era Raio elemental - era a própria negação da magia.

A onda atingiu a armadura de madeira viva de Tharon, e a magia orgânica que mantinha a armadura coesa simplesmente... parou. As folhas murcharam instantaneamente. A madeira começou a rachar. Tharon gritou de dor - não física, mas a dor psíquica de sentir sua conexão mágica sendo arrancada dele como um membro sendo amputado.

Kazuo reagiu em uma explosão de velocidade arcanista, cruzando os quinze metros entre ele e Balar em menos de um segundo, sua espada cortando o ar em um arco horizontal que deveria decapitar.

A lâmina parou a um centímetro do pescoço de Balar.

Não porque Balar a bloqueou. Simplesmente parou, como se tivesse atingido uma parede invisível. A mana que Kazuo estava usando para acelerar seu golpe foi anulada no momento do contato, transformando um golpe que podia cortar aço em um tapa fraco.

Balar olhou para Kazuo com aqueles olhos azuis brilhantes e sinceros.

"Sua magia é muito bonita," Balar disse gentilmente. "Mas o pai disse que magias muito fortes são perigosas. Então eu tenho que apagar ela. Desculpe."

Balar tocou a lâmina de Kazuo, e a espada - uma lâmina artesanal forjada com runas de velocidade e corte - rachou, as runas se apagando como velas sendo sopradas.

Anara, enquanto isso, havia escolhido Bob como seu alvo. Ela não usou magia sofisticada ou técnicas complexas. Ela simplesmente pulou - um salto que a levou cinco metros no ar - e desceu sobre Bob como um meteoro vermelho de fúria e músculo.

Bob ergueu seus braços em defesa, canalizando o Rompante Tri-Elemental que Ainar havia perfurado nele - Vento para desviar, Água para amortecer, Raio para contra-atacar.

O impacto foi como ser atingido por uma avalanche consciente. Bob sentiu seus ossos rangendo sob o peso, seus pés afundando no chão de metal e deixando marcas de impacto. Mas o pior não foi a força física - foi o que veio depois.

Anara estava em cima dele, seus olhos vermelho-sangue a centímetros dos dele, e Bob podia sentir algo emanando dela como calor de uma fornalha - fúria pura, raiva destilada em forma quase tangível. E essa fúria estava se alimentando dela mesma, crescendo, amplificando, transformando-se em poder físico real.

"FORTE!" Anara gritou, sua voz rouca e selvagem. "VOCÊ É FORTE! FINALMENTE! FINALMENTE ALGUÉM FORTE!"

Ela socou Bob no estômago com força suficiente para fazê-lo cuspir sangue, mas havia algo errado - o golpe parecia estar ficando mais forte a cada segundo, como se a excitação de Anara por encontrar um oponente resistente estivesse literalmente aumentando seu poder de ataque.

Luna viu Bob sendo esmagado e tomou a decisão em uma fração de segundo. Ela invocou sua Magia das Trevas - não para atacar diretamente, mas para criar uma zona de ausência entre Anara e Bob, uma camada de vazio que deveria quebrar o contato físico e dar a Bob um segundo para se recuperar.

A Magia das Trevas se formou, começou a se expandir, e então...

Stariel estava ao lado dela.

Luna não viu ela se mover. Não ouviu passos. De alguma forma, em algum lugar no caos dos primeiros três segundos de combate, Stariel havia cruzado a distância entre seu tanque e a posição de Luna sem fazer um único som ou movimento detectável.

E ela estava sorrindo aquele sorriso vazio e perfeitamente lindo.

"Olá, sombria," Stariel murmurou, sua voz tão próxima que Luna podia sentir o hálito quente em seu ouvido. "Você tem medo. Posso sentir. Seu coração está batendo muito rápido. Você está assustada dele não achar você bonita o suficiente. Do Leonardo. É tão óbvio. Tão... delicioso."

Como ela sabia? Como ela poderia saber algo que Luna mal admitia para si mesma?

Stariel tocou o rosto de Luna com dedos suaves e frios, e Luna sentiu sua magia das Trevas simplesmente... dispersar. Não foi anulada como quando Balar tocou a magia de Kazuo. Foi seduzida, persuadida a não atacar, como convencer uma arma a não disparar simplesmente sendo muito charmosa com ela.

"Não me machuque," Stariel sussurrou, seus olhos violeta profundo encontrando os olhos lilases de Luna. "Eu não quero lutar com você. Você é bonita demais para quebrar. Vamos apenas... conversar. Você pode me contar sobre ele. Sobre seus medos. Sobre seus desejos. Eu sou muito boa em ouvir."

Luna sentiu sua resistência mental começando a derreter como cera ao calor. Esta não era magia de controle mental bruta - era algo muito pior. Era persuasão perfeita, empatia manipulada ao ponto de se tornar uma arma, cada palavra calibrada para ressoar exatamente com as inseguranças que Luna escondia.

E foi nesse momento que Morvath finalmente agiu.

Ele não correu. Não atacou. Ele simplesmente olhou para Lyris e Leo, que estavam recuando para tentar estabelecer uma posição de suporte tático, e caminhou na direção deles com passos lentos e deliberados.

Cada passo que ele dava deixava uma marca no chão. Não uma marca física de pegada - uma marca de deterioração. O metal onde ele pisava escurecia, oxidava, corroía, como se décadas de ferrugem estivessem acontecendo em segundos. Pequenos insetos que estavam nas rachaduras do laboratório simplesmente morriam quando ele passava perto, seus corpos secando instantaneamente.

Leo sentiu a Previsão Ativa gritando na sua mente - perigo, perigo, PERIGO - mas todos os caminhos que ele via terminavam mal. Não havia uma esquiva correta. Não havia uma tática vencedora. Morvath era um conceito ambulante de entropia, e você não pode lutar contra um conceito.

Lyris, vendo a ameaça, lançou uma lança de Água comprimida - um golpe que ela havia usado para perfurar armaduras de aço e carapaças de monstros. A lança voou verdadeira, atingindo Morvath no peito.

E parou. Congelou no ar a centímetros de seu corpo, e então começou a... apodrecer. A água comprimida começou a turvar, a escurecer, transformando-se de líquido cristalino puro em algo que parecia água de pântano estagnada, e então em algo pior - em uma gosma negra que gotejou no chão e fumegou.

Morvath tocou a lança deteriorada com um dedo, e ela se desfez completamente em pó negro.

Ele olhou para Lyris e Leo, e pela primeira vez, falou. Sua voz era um sussurro rouco, como se falasse doesse, como se as cordas vocais em sua garganta estivessem meio-mortas.

"Tudo... morre. Tudo... acaba. Por que... lutar? A morte é... paz."

Não era uma ameaça. Era pior - era uma constatação filosófica pronunciada por algo que havia transcendido a vida humana normal e existia em um estado entre vivo e morto. Morvath não queria matar por raiva ou por ordens - ele simplesmente entendia que tudo eventualmente morre, e ele estava apenas... acelerando o processo.

Leo, sentindo o pânico subindo, forçou sua mente a funcionar como Ainar havia treinado. Esqueça a tática. Esqueça o plano. Use o Caos. Use o instinto.

Ele invocou Caramelo.

O familiar arcanista, o gato de pelos alaranjados que carregava aquela energia caótica e anômala, se manifestou em um flash de luz distorcida. Caramelo não era grande - era apenas um gato de tamanho normal - mas a energia que emanava dele era aquela assinatura de Caos que havia explodido o núcleo do Golem Rank A no Labirinto Arcano.

Leo não tentou direcionar o Caos. Ele apenas o soltou.

Caramelo se lançou em Morvath, e a energia caótica colidiu com a aura de morte do Homúnculo. O resultado foi uma explosão de luz branca e sombra negra, os dois conceitos opostos se anulando em uma zona de pura instabilidade mágica que fez rachaduras aparecerem no chão de metal e nas paredes de pedra.

Morvath cambaleou - o primeiro sinal de que algo o havia afetado - e virou seus olhos vazios para Leo.

"Você... interessante. Não é... vivo nem morto. Como eu. Mas... caótico. Eu sou... ordem. Somos... opostos."

Vallas, observando tudo de seu estrado elevado, estava radiante de orgulho científico e admiração.

"MAGNIFICO!" ele gritou, sua voz ecoando sobre o som do combate. "Vocês veem? VOCÊS VEEM? Meus filhos estão se adaptando em tempo real! Balar encontrou um oponente de velocidade pura e está desenvolvendo contra-medidas! Anara encontrou resistência física e está amplificando sua força através da emoção! Stariel está neutralizando a ameaça psicológica sem usar violência! E Morvath... ah, Morvath encontrou um paradoxo e está fascinado!"

Lyris, processando a situação tática rapidamente, percebeu a terrível verdade: eles estavam perdendo. Não porque eram mais fracos - mas porque estavam lutando seres que haviam sido construídos especificamente para contra-atacar tipos específicos de ameaças. Cada Homúnculo era uma solução ambulante para um problema de combate.

E Vallas havia escolhido os oponentes perfeitos para testá-los.

Lyris tomou a decisão que nenhum líder quer tomar.

"RECUAR!" Lyris gritou, sua voz de comando cortando o caos. "FORMAÇÃO DE RETIRADA! THARON, KAZUO - CONTENHAM E RECUEM! LUNA, BOB - QUEBREM CONTATO! LEO, COMIGO!"

Mas recuar não seria fácil. Kazuo estava travado em combate corpo-a-corpo com Balar, cada golpe sendo anulado no momento do contato. Tharon estava lutando para manter sua armadura coesa contra a constante drenagem anti-mágica. Bob estava sendo sistematicamente destruído por Anara, que estava ficando mais forte a cada troca de golpes. Luna estava meio hipnotizada por Stariel, suas defesas mentais derretendo.

E Leo estava enfrentando Morvath, que estava caminhando lentamente mas inevitavelmente em sua direção, sua aura de morte se expandindo com cada passo.

Foi Kazuo quem quebrou o impasse.

O Espadachim Arcano, percebendo que sua magia estava sendo anulada, fez algo que nenhum espadachim arcano deveria fazer - abandonou completamente a magia e confiou apenas na técnica de espada pura.

Sua velocidade caiu drasticamente. Sua força de corte diminuiu. Mas sua técnica - a técnica pura de um mestre espadachim que havia treinado por décadas - permaneceu intacta.

Kazuo feintou alto, girou baixo, e cortou não para matar mas para criar espaço - um golpe horizontal que forçou Balar a recuar três passos.

"AGORA!" Kazuo rugiu. "MOVAM-SE!"

Tharon, usando os últimos resquícios de sua magia de vida, criou uma parede de raízes e vinhas que brotaram do chão de metal - impossível biologicamente, mas possível magicamente por um breve momento antes que Balar as anulasse. A parede deu a Bob dois segundos de alívio.

Bob usou esses dois segundos para fazer a única coisa que podia fazer contra Anara - ele a abraçou, prendendo seus braços contra o corpo dela, e então liberou todo o seu Raio em uma descarga de ponto branco diretamente entre seus corpos.

A explosão de eletricidade arremessou ambos em direções opostas. Bob bateu na parede do laboratório e caiu, fumegante e sangrando. Anara bateu em um dos tanques vazios, rachando o vidro, mas levantou-se quase imediatamente, seus olhos vermelhos brilhando ainda mais intensamente com fúria renovada.

Luna, lutando contra a sedução mental de Stariel, forçou-se a lembrar do treinamento de Ainar - o treinamento brutal que havia quebrado suas hesitações e reconstruído seus instintos. Ela não tentou resistir à empatia. Ela a abraçou, aceitou completamente, e então a transformou em arma.

"Você está certa," Luna disse para Stariel, lágrimas genuínas descendo por seu rosto. "Eu tenho medo. Eu tenho tantos medos. Mas sabe qual é o maior?"

Stariel inclinou a cabeça, genuinamente curiosa, seus olhos violeta brilhando com interesse.

"Qual?"

"Que pessoas como você," Luna sussurrou, "nunca saberão o que é amar de verdade. Apenas fingir. Para sempre."

E Luna usou a Magia das Trevas não em Stariel, mas em si mesma - criando uma explosão de escuridão absoluta que a cegou, a ensurdeceu, cortou todos os seus sentidos por três segundos cruciais, tempo suficiente para quebrar o contato visual e mental com Stariel e cambalejar para trás em direção à formação de retirada.

Leo estava enfrentando o pior dilema. Morvath estava a três metros dele, e Caramelo estava começando a piscar e falhar - a energia caótica não podia sustentar manifestação constante.

Leo tomou a decisão mais difícil: ele dispensou Caramelo, deixando o familiar se desfazer, e em vez de lutar, correu. Simplesmente virou as costas para Morvath e correu em direção à porta de saída com toda a velocidade que suas pernas permitiam.

Morvath não o perseguiu. Ele apenas observou com aqueles olhos vazios, como se estivesse fazendo uma observação filosófica sobre a futilidade da fuga.

A equipe convergiu na porta de saída do laboratório em um estado caótico e sangrento. Kazuo estava na retaguarda, sua espada quebrada mas ainda funcional o suficiente para bloquear. Tharon estava carregando Bob, que estava apenas semi-consciente. Luna estava parcialmente cega pela sua própria magia. Leo estava ofegante e aterrorizado. Lyris estava mantendo a formação através de pura força de vontade e autoridade de comando.

Eles atravessaram a antecâmara de órgãos, o corredor de pedra polida, e começaram a subir a escada de metal do Poço T-5 em uma escalada frenética e desesperada.

Atrás deles, no laboratório, Vallas não ordenou perseguição. Ele simplesmente observou seus quatro Homúnculos se reagrupando, cada um processando a experiência de combate, aprendendo, adaptando.

Balar olhou para suas mãos, para onde a espada de Kazuo havia quase o tocado, e sorriu com inocência perturbadora. "Eu posso ficar mais forte. Posso aprender a anular mais rápido."

Anara estava respirando pesadamente, sangue gotejando de um corte superficial no ombro onde Bob havia conseguido queimá-la com Raio, e ela estava rindo - uma risada de pura alegria selvagem. "MAIS! Quero mais! Eles são tão FORTES! Pai, posso caçá-los? POSSO?"

Stariel estava limpando lágrimas de Luna de seus dedos, cheirando-as com curiosidade clínica. "Interessante. Ela usou a vulnerabilidade emocional como arma. Eu não havia considerado essa aplicação. Devo... adaptar."

E Morvath simplesmente ficou parado, olhando para o ponto onde Leo havia corrido, sua voz um sussurro rouco que ecoava no laboratório vazio.

"O caótico... fugiu. Mas não pode... fugir da morte. Nada... pode. Vou... esperar. A morte... sempre espera."

Vallas colocou uma mão orgulhosa no console de controle, registrando cada pedaço de dados da batalha que havia durado menos de dois minutos mas fornecido meses de informação valiosa.

"Perfeito," Vallas murmurou para si mesmo, lágrimas de orgulho científico descendo por seu rosto. "Absolutamente perfeito. Eles funcionam. Eles aprendem. Eles evoluem. E isso foi apenas o primeiro teste."

Ele olhou para os quatro Homúnculos - seus filhos, sua obra-prima, sua resposta para todas as ameaças que o Reino enfrentaria.

"Descansem agora, meus amores. O próximo teste será ainda mais interessante. A Master X voltará com reforços. E quando voltarem..."

Vallas sorriu, um sorriso de fanático absoluto.

"Vocês estarão prontos para demonstrar ao mundo que o futuro da humanidade não é treinar o que nasce naturalmente. É criar o que é necessário."

A equipe da Master X e Astral Vanguard emergiu do Poço T-5 sob o céu noturno de UniCampos ofegantes, sangrando, traumatizados e derrotados.

Pela primeira vez desde que a Master X havia sido fundada, uma missão Rank A de Lyris Nereval havia falhado completamente.

E nas profundezas do laboratório, quatro seres que não deveriam existir esperavam pacientemente pelo retorno inevitável.

A guerra entre o natural e o projetado havia apenas começado.

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