A dor não era mais um obstáculo, era uma rotina. Um mês após a humilhação de Campanus e o desmonte psicológico imposto por Ainar Stellarion, o Time Master X havia se transformado em uma máquina de eficiência esgotada. O cheiro de metal queimado e suor seco tinha se tornado a assinatura do trio. A Previsão Ativa de Leo, agora exigida por Ainar em longos períodos de vigília, o deixava em um estado de exaustão permanente, mas ele havia conseguido forçar o Caos (O Louco) a agir na abertura de um milissegundo antes que a Ordem (O Hierofante) pudesse hesitar. Sua lentidão havia se transformado em um reflexo bestial.
Luna e Bob sentiam a mesma exaustão. Bob era agora o mestre da integração elementar, o Rompante Tri-Elementar um instinto, não uma conjuração pensada. Luna havia se tornado o silêncio, sua Magia das Trevas aniquilando a energia dos inimigos sem um único rastro sônico ou de mana residual. Eles eram mais fortes, mais rápidos, mas o preço havia sido a sanidade. O único conforto era que Ainar, o Mestre torturador, agora estava ausente do campo de treinamento, recolhido na Torre Central, observando-os de longe. Ele havia escolhido ficar.
A convocação não veio de um mensageiro, mas de um pulso de mana pura que cortou o ar da sala de treinamento, interrompendo um exercício de coordenação que havia durado quatorze horas ininterruptas. O pulso era a assinatura do Mestre da Guilda.
Eles se dirigiram à imponente Sala do Mestre Draven, no ponto mais alto da Fortaleza. O ambiente era de pedra cinzenta e ferro forjado, mas a luz que entrava pelas altas janelas era fria e impiedosa. Draven Solari Braghelius, o Mestre da Guilda, estava sentado à sua mesa, o rosto marcado pela responsabilidade, mas os olhos cinza-prateados vigilantes.
Ao lado de Draven, encostado em uma coluna de basalto polido, estava Ainar Stellarion. O Mestre do trio Veyndril estava impecável em seu sobretudo azul-petróleo. Ele não se moveu, apenas sorriu para a exaustão em seus rostos, uma expressão que dizia: Meu trabalho está quase pronto.
O foco de atenção, no entanto, estava nas três figuras que esperavam em frente à mesa: a lendária EQUIPE ASTRAL VANGUARD.
Lyris Nereval, a Maga da Água, estava em uma postura casual, com um pergaminho de mana flutuando ao lado, mas a calma ao seu redor era antinatural. Lyris não era a formalidade que Leo esperava. Ela parecia uma artista, vestindo seda esmaltada com placas laterais de bronze, e seus olhos cinza-claros esquadrinhavam o trio Veyndril não com julgamento, mas com a análise de quem mede a pureza de uma substância.
Kazuo Hayashima, o Espadachim Arcano, era a perfeição da contenção. Ele estava parado, as mãos relaxadas, mas a presença dele sugava o ar. Luna sentiu a aceleração ao seu redor, a mana comprimida em velocidade. Ele não precisava ser formal; o silêncio dele era a formalidade suprema.
Tharon Sylvaeon, o Tanque Élfico, era o pilar da equipe. Alto, musculoso, com a armadura de madeira viva que parecia brotar da pele. Ele estava mais relaxado que os outros dois. Seus olhos verdes vibrantes encontraram os de Bob, e Tharon acenou com a cabeça em reconhecimento à força pura, quase como um fazendeiro reconhecendo um bom arado. Não havia arrogância, apenas familiaridade.
Draven Solari Braghelius começou a falar, sua voz grave e autoritária.
— Master X. Vanguarda Astral. Esta missão é Rank A, e eu escolhi vocês seis por serem os únicos a mesclar a força bruta com a sutileza que o problema exige.
Draven ativou um mapa de mana holográfico sobre a mesa de basalto. A imagem de UniCampos, a cidade universitária no Planalto das Ideias, brilhou em cores de mármore e vidro.
— UniCampos é o centro da pesquisa arcana e biológica do Reino. Há um mês, começaram a ocorrer desaparecimentos de cientistas, estudantes e mineradores que trabalhavam nas fundações da cidade. Não são sequestros políticos. Não há pedidos de resgate. Os desaparecimentos são limpos. Nenhuma runa de vigilância, mágica ou tecnológica, detectou qualquer atividade.
O Mestre Draven olhou fixamente para o Time Master X.
— O silêncio é o problema. Isso sugere que o perigo não veio de fora da cidade, mas de dentro de suas próprias pesquisas. UniCampos sempre brincou com a ética. A missão é: Infiltração e Resgate. Vocês devem encontrar os desaparecidos, identificar a origem do segredo, e neutralizar a ameaça antes que o Conselho Real precise intervir. Lyris Nereval lidera a missão.
Lyris se moveu. O balde d'água parecia segui-la. Ela caminhou até Leo, ignorando o hiato social de Ranks.
— Veyndril. Ainar me garantiu que você não hesita mais. UniCampos é uma teia de vigilância baseada em calor e eletricidade estática. Sua previsão e sua coordenação serão nossos olhos invisíveis.
Leo sentiu o peso da responsabilidade, o teste velado. Ele assentiu: — Entendido. A rota de infiltração será minha prioridade.
Ainar Stellarion, encostado na coluna, finalmente falou, dirigindo-se a ninguém em particular: — Lyris. O trio está exausto. Se eles quebrarem, eles vão quebrar de maneira espetacular.
Lyris sorriu para Ainar, sem formalidade. — Não se preocupe, Mestre. Se eles quebrarem, teremos que consertá-los. Se eles funcionarem, eles serão a ponta de lança. A guilda é feita disso.
A tensão entre Ainar e Lyris era palpável, não de rivalidade, mas de dois predadores avaliando o mesmo campo de caça.
Lyris ignorou o resto do protocolo e começou a detalhar a divisão da missão. — Unicampus é uma cidade de aparências. Não podemos vasculhar todos os laboratórios.
— Vamos nos dividir em duas células. Alfa e Beta.
Ela apontou para Leo. — Célula Alfa: Eu, Kazuo e Leo. Nosso objetivo é a Universidade Principal. O núcleo do conhecimento. Se há um segredo, ele está escondido nos Arquivos, nos porões de dados ou no escritório do Reitor. Leo, você fica responsável pela análise tática imediata, e Kazuo pela neutralização de qualquer segurança arcana pesada.
Lyris olhou para Luna e Bob. — Célula Beta: Tharon, Luna e Bob. Vocês são a coleta de dados. O conhecimento proibido sempre vaza para as beiradas da cidade: o mercado negro de reagentes, bares de cientistas desonestos, os túneis de serviço das minas. Tharon, você usa seu charme élfico para a coleta de dados, Bob e Luna são a força e a anulação de vigilância. Sem confronto a menos que seja essencial.
O plano era inteligente: separar os novatos para cobrir mais terreno, mas emparelhá-los com um Rank S para contenção. Leo com a mente de Lyris e a força de Kazuo. Luna e Bob com a paciência de Tharon.
O Drago-Cargueiro era grande, mas o silêncio da tensão o tornava claustrofóbico. O Time Master X e a Astral Vanguard estavam distribuídos na cabine de transporte.
Leo estava imediatamente ao lado de Lyris, traçando as rotas no mapa tático. Lyris tinha um conhecimento enciclopédico da cidade, baseando suas táticas em hidrologia e engenharia urbana, tratando a cidade como um grande corpo.
— Os esgotos mais antigos são conectados aos laboratórios subterrâneos — sussurrava Lyris, seu hálito cheirando a hortelã e ozônio. — Eles foram desativados há décadas, mas os engenheiros da Academia usam a rede de dutos de resfriamento. Se você encontrar um bloqueio de água, Veyndril, é uma pista.
Kazuo, a metros de distância, estava em sua meditação ativa. Ele não precisava de diálogo; sua presença era uma pressão constante. Luna, sentindo a mana comprimida em volta do espadachim, sentia-se na presença de um rival perfeito para sua Magia das Trevas. Onde ela aniquilava a essência, ele acelerava o corpo a um ponto que a anulação parecia irrelevante.
Bob estava com Tharon. O Elfo Solar não estava meditando; ele estava polindo a madeira viva de sua armadura com um óleo especial que cheirava a terra úmida e casca de árvore.
— Por que você não usa armadura de metal, Mestre Tharon? — perguntou Bob, sentindo-se mais à vontade com o elfo do que com qualquer outro Rank S.
Tharon levantou a cabeça. — Chama-me Tharon. E metal não serve. Metal enferruja, metal é frio. A vida sente a porrada e responde. Minha armadura é meu escudo, e meu escudo é meu amigo. É mais forte do que qualquer ferro forjado. Você, Bob, tem a força de uma montanha, mas o espírito de um furacão. Aprenda a não desperdiçar o vendaval.
A conversa foi a mais honesta que Bob teve com um Mestre. O contraste entre o gentil Tanque e o sádico Ainar era um choque.
Luna, observando a interação, sentiu o cálculo de Lyris. A Comandante estava usando Tharon para acalmar a força bruta de Bob, permitindo que a Magia das Trevas de Luna e o cérebro de Leo operassem com a máxima calma. Era uma tática de gestão de estresse, não de combate.
O Cargueiro quebrou as nuvens. UniCampos surgiu abaixo. Era uma visão de arrogância: vidro e mármore branco sob o sol da tarde, com torres de pesquisa que perfuravam o céu. A cidade não parecia ter segredos; ela parecia ser o próprio segredo.
Eles pousaram na Estação de Carga, uma área periférica cheia de contêineres e o cheiro metálico de resíduos químicos.
Lyris deu o comando final, a voz baixa, mas clara.
— Célula Alfa, pela fachada. Vamos usar a lenda da Master X para forçar a entrada na Universidade. Kazuo e Leo, sigam-me.
— Célula Beta, pela sombra. Bob e Luna, sigam Tharon. Busquem o mercado cinza. Procurem por quem fornece materiais proibidos para a Academia. Eu quero nomes e locais, não confrontos. E Luna, use a anulação de vigilância em todo o nosso perímetro.
Os dois trios se separaram. Lyris, Kazuo, e Leo se dirigiram à imponente fachada de mármore branco da Universidade de UniCampos. Tharon, Bob, e Luna, em silêncio, se esgueiraram para os becos escuros da periferia, onde a luz da ciência não alcançava.
A missão Rank A no ventre da cidade universitária havia começado, com a promessa do conhecimento e a ameaça de algo que o reino nunca deveria ter criado.
O chão de mármore branco de UniCampos logo deu lugar ao concreto rachado e ao asfalto malconservado. A Célula Beta – Tharon Sylvaeon, Luna Selvestra e Bob Caelun – havia se separado da Célula Alfa, seguindo para a periferia da cidade, onde as torres de vidro e a promessa de conhecimento eram apenas uma piada cruel.
Tharon liderava. O Tanque Élfico, apesar de sua armadura de madeira viva e sua massa imponente, movia-se com a graça silenciosa de um animal da floresta. Ele não estava tentando se esconder; ele estava tentando se misturar. Bob, com sua constituição de montanha, estava em guarda, sentindo a mana ao redor; Luna estava atrás, seus olhos lilases absorvendo as sombras, o corpo pronto para anular qualquer vigilância estática.
O ar mudou drasticamente. Deixaram o cheiro de ozônio e mármore por uma mistura espessa de gordura rançosa, álcool barato e o cheiro metálico de reagentes químicos de baixa qualidade. Esta era a Espiral de Chumbo, o submundo de UniCampos, onde a ciência descartada e a moralidade falida eram vendidas por alguns trocados.
Lyris havia ordenado a busca pelo mercado cinza: o fornecedor que negociava materiais proibidos para a Academia. O segredo sempre vaza pela porta dos fundos.
A primeira parada foi o Barracão do Químico, um armazém fedorento que servia bebidas adulteradas a estudantes desonrados e técnicos de laboratório de segunda linha. O interior era escuro e esfumaçado, iluminado por lâmpadas de mana fraca que mal conseguiam quebrar a névoa de nicotina.
Tharon era a atração principal. Um Elfo Solar de alta linhagem (como sugeriam suas tatuagens de proteção e o dourado sutil de sua pele) em um lugar como aquele era como um diamante em um chiqueiro.
— Fiquem em silêncio e observem — sussurrou Tharon, sua voz profunda, mas surpreendentemente macia, antes de abrir a porta e entrar.
O bar parou. Os olhos duros dos clientes – humanos pálidos, anões sujos de graxa, e alguns meio-elfos com olhares de inteligência traída – cravaram-se neles. Bob, sentindo a tensão, cerrou o punho, a mana Tri-Elemental pronta para explodir. Luna permaneceu imóvel, o olhar fixo em um canto onde a luz parecia ser engolida, buscando runas de vigilância.
Tharon, no entanto, foi até o balcão. Ele sorriu, o sorriso mais genuíno que Bob já vira.
— Boa noite, amigos. Minha armadura de madeira está ficando um pouco seca. Dizem que o óleo de pinho que vocês vendem aqui é o único que funciona de verdade. Sou um recém-chegado da Floresta Imperial.
A postura de Tharon, de um estrangeiro ingênuo e rico, quebrava a hostilidade. Um anão grande e mal-humorado, que parecia ser o dono, limpou o balcão.
— Para um elfo nobre, você está no lugar errado. Queremos metal aqui, não folhagem. O que você realmente quer?
Tharon depositou duas moedas de ouro maciço no balcão. Não era o preço do óleo; era o preço da informação.
— Quero a paz para minha armadura. E talvez, por acaso, eu queira saber onde posso encontrar um pouco daquele pó que a Academia de vocês está usando nos laboratórios. Aquele que cheira a terra queimada, mas brilha no escuro.
O anão pegou o ouro com a velocidade de um falcão. O pó de terra queimada e brilho era o código do mercado para o Reagente de Minério Pesado, usado em experimentos bio-arcanos não-sintéticos.
— O pó vem de baixo — murmurou o anão, cuspindo no chão. — Vem das Minas Velhas, perto da Linha de Serviço T-5. Mas você não vai conseguir entrar lá. A Academia fechou tudo. Eles dizem que são Goblins, mas o cheiro... o cheiro é de coisa que não tem alma.
O anão olhou para Luna, que estava em silêncio. — E a sua amiga sombra? Está procurando por quem?
Luna deu um passo à frente, sua voz era baixa e fria, tática. — Ela procura por quem está vendendo gente. Cientistas e estudantes sumindo. Eles estão sendo negociados?
O anão encolheu os ombros, o medo agora superando a ganância. — Eles não são negociados. São consumidos. E sim. O caminho é sempre para baixo. Sempre para o subsolo.
A informação era tênue, mas o suficiente. O perigo não era uma invasão de fora, mas uma sucção de dentro. As vítimas estavam sendo levadas para o subsolo, perto da linha de serviço T-5, onde as Minas Velhas, agora desativadas, se cruzavam com os dutos de resíduos da Academia.
Luna traçou a rota, a mente tática em alta velocidade. — A T-5 é um sistema de resfriamento. Se for usado para levar pessoas, é porque a Academia tem uma instalação subterrânea muito profunda.
Bob, com seu faro de aventureiro aguçado pelo treinamento, sentia a pressão da terra. — Eu sinto que o chão está mais grosso ali. Como se houvesse algo grande…
Eles se moveram pela noite, deixando o Beco do Químico. A cidade de UniCampos era agora uma paisagem de sombras longas e ameaçadoras. Lyris havia advertido: UniCampos usava runas de vigilância de calor e eletricidade estática. Luna era o único que poderia neutralizá-las.
Eles chegaram à Zona T-5. Era um trecho de concreto abandonado, cercado por uma cerca de arame enferrujado. No muro, havia uma série de pequenos cristais de vigilância, pulsando com uma luz fraca e fria.
— São sensores de calor passivos — sussurrou Luna. — Eles detectam qualquer mudança na temperatura corpórea, e a mana Tri-Elemental do Bob dispararia o alarme em um segundo.
Luna avançou, a silhueta esguia deslizando pela parede. Ela fechou os olhos. A Magia das Trevas não era apenas anulação; era a absorção da luz. Ela começou a sugar o calor do ar ao seu redor, criando uma bolha de frio absoluto. Não era o frio da água, mas o frio da ausência.
Bob e Tharon observaram, fascinados. Luna estendeu a mão para o cristal de vigilância. Em vez de quebrar a runa com mana pura, ela fez algo mais sutil: ela aniquilou a eletricidade estática dentro do cristal.
O cristal ficou opaco, sem emitir o alarme de falha. Luna havia transformado o sensor de vigilância em uma simples pedra.
— Entrem — ordenou Luna, exausta pela precisão cirúrgica da magia.
Eles pularam a cerca e se encontraram na escuridão. O cheiro de reagentes químicos aqui era intenso, misturado com o cheiro de argila úmida e fermentada.
Tharon tirou uma lanterna de mana da bolsa, mas Luna a parou.
— Não. A luz pode ser detectada pelos dutos de ventilação. Tharon, você usa a visão élfica. Bob, você usa os seus sentidos aprimorados. Eu uso as sombras.
Tharon era a bússola humana; Luna, o radar.
Eles caminharam por uma passagem estreita que levava ao que parecia ser um poço de serviço. No chão, coberto por uma camada de poeira cinzenta e argila seca, havia algo que fez Bob parar.
— Pare! — a voz de Bob era tensa, baixa, vinda do fundo do peito. Ele estava analisando o chão com uma intensidade feroz. — Pegadas.
Não eram pegadas de botas de mineradores. Eram rastros de sapatos de couro finos e saltos – sapatos de estudantes, cientistas e administradores. Eram rastros de pessoas que haviam sido arrastadas.
Bob se agachou, e acionou uma pequena chama de Vento-Fogo na ponta do dedo. A luz fraca iluminou a poeira. O rastro dos sapatos finos levava diretamente para a boca escura do poço.
— E cheira a medo — sibilou Bob. — Não medo de Goblin. Medo humano.
Tharon se ajoelhou ao lado dele, examinando o poço. O poço era de metal, com uma escada de serviço antiga que desaparecia na escuridão. O silêncio que vinha de baixo não era natural.
— Este poço é profundo. O sistema de ventilação da Academia é de alta pressão; ele deveria estar fazendo um ruído — Tharon pressionou a orelha contra a parede de metal. — Está silencioso. Alguém neutralizou o sistema de ventilação.
Luna olhou para o topo do poço, onde os dutos de metal desapareciam no complexo da universidade. — Se o sistema de ventilação está desativado, o ar vindo de baixo está contaminado ou a pressão precisa ser mantida.
Bob então notou algo mais sutil. Um rastro de óleo no metal da escada. Não era óleo de máquina comum.
Bob usou seu faro de Vento para analisar o cheiro. O cheiro do óleo era denso, quase orgânico. Ele se lembrou do que o anão do bar havia dito sobre o pó que brilha no escuro.
— Mestre Tharon, Comandante Luna — disse Bob, a voz cheia de certeza fria. — Este não é o rastro de um sequestro comum. É um rastro de laboratório. Este óleo… tem cheiro de vida modificada. Misturado com o reagente de Minério Pesado.
— O que isso significa? — perguntou Luna, a mente tática em chamas.
Tharon pousou a mão na borda do poço. O metal estava quente.
— Significa que Lyris estava certa. É uma instalação subterrânea. E se a escada está oleosa, alguém desceu recentemente. E, pelo cheiro desse óleo, Bob, o que desceu não era humano.
Luna olhou para a escuridão do poço, sentindo a Magia das Trevas querer se manifestar.
— Eles estão sendo levados para o subsolo. Este é o ponto de coleta. O segredo da Academia não está nos arquivos. Está na terra — disse Luna.
Tharon olhou para a escuridão. — Se o ar lá embaixo for envenenado, precisamos de proteção. Ou de fogo.
Bob não perdeu tempo. Ele pegou uma lasca de metal do chão e acendeu a Chama do Raio na ponta, misturando-a com a Força do Vento para criar uma luz fraca, mas contida, que não piscaria nos dutos de ventilação. Ele desceu a lasca na escuridão.
O poço era reto, com uma profundidade de pelo menos trinta metros antes de alargar-se em uma caverna. A luz fraca de Bob revelou algo chocante na parede da caverna. Não era basalto, mas pedra polida e aço de reforço.
A cidade universitária não tinha apenas um porão; tinha uma segunda cidade subterrânea.
Luna ergueu a mão, enviando uma breve e contida onda de Magia das Trevas para Leo, a apenas um quarteirão de distância. O sinal não era um grito, mas um toque.
— Subsolo. UniCampos esconde algo vivo e profundo.
A Célula Beta havia cumprido sua missão de coleta de dados. A revelação do segredo de UniCampos estava a trinta metros abaixo deles. O resgate dos sequestrados logo se tornaria uma incursão no terror biológico.
