O Posto Militar Real de Campanus era uma estrutura de basalto sombria e gasta, que cheirava a mofo, pólvora e a um tipo de desespero fermentado que era comum em guarnições esquecidas. Ao entrarem, o contraste entre os uniformes limpos do time Master X e o ambiente decadente era gritante. Os poucos soldados presentes olhavam para o trio com uma mistura de inveja e pena.
Eles foram conduzidos ao escritório do Comandante, onde Ainar Stellarion estava encostado na parede, indiferente à angústia do local, observando o Comandante Diego com um desinteresse soberano. O Comandante, um homem robusto, com barba rala e olhos fundos de cansaço, vestia uma armadura de couro gasta e parecia prestes a desmoronar.
O Comandante Diego, notando a entrada do trio, levantou a cabeça. Seu olhar de desespero se fixou em Ainar e, em um instante, a incredulidade o atingiu.
— Mestre Ainar Stellarion! — A voz do Comandante, Diegão para os mais próximos, saiu rouca e cheia de respeito. Ele tentou se levantar em respeito, mas suas pernas vacilaram. — Pelos Arcanos Antigos, é uma honra! Nunca pensei que a Master X enviaria um Grande Mestre para uma infestação de quinta categoria como a nossa. Eu sou Diego, Comandante Diego, à sua disposição.
Ainar acenou preguiçosamente, como se a fama fosse um fardo incômodo. — Eu sou apenas o tutor deles, Comandante. O trabalho é da equipe Master X. — Ele gesticulou para Leo, Luna e Bob. — Eles farão a limpeza. Eu estou aqui apenas para supervisionar o potencial.
Diegão olhou para os três jovens com ceticismo palpável, mas o nome de Ainar o forçava a engolir a dúvida.
— Entendo, Mestre. Mas… precisamos de ajuda real. A situação está muito pior do que relatamos. A infestação não é o problema principal. O problema é a água. Campanus sempre dependeu da Fonte de Santa Runa, que brota da montanha e alimenta o poço principal. Há três dias, ela secou. De repente. O nível do poço caiu para um terço. Em mais dois dias, teremos racionamento total e, depois, motim.
Ele desdobrou o mapa, seu dedo trêmulo apontando para um desfiladeiro íngreme e rochoso.
— A água não secou; ela foi bloqueada no desfiladeiro. E quem fez o serviço foi uma tribo de Goblins. Não é a escória comum. É uma aldeia inteira. O Capitão Vardo, nosso melhor rastreador, estima que haja pelo menos quarenta Goblins estabelecidos na garganta. Eles construíram barricadas com pedras e couro, e... eles estão organizados de uma forma que desafia a natureza deles. E o pior, Mestre, ele viu um Hobgoblin comandando a defesa, e um Goblin Shaman.
Luna Selvestra, com sua frieza tática, imediatamente pegou o mapa das mãos de Diegão, seus olhos lilases absorvendo a topografia. — Quarenta goblins são muitos. Uma tribo inteira com um Hobgoblin líder e um Xamã sugere um nível de coesão que não é natural para eles, mas não é inédito. O Xamã é o problema. Ele provavelmente usou Magia de Terra e lama para criar uma barreira física no fluxo da água.
Bob Caelun, de pé, sentindo a urgência de sua cidade, apertou os punhos. — A vantagem numérica é a única real ameaça. Se Luna conseguir neutralizar o Shaman, e eu mantiver a linha de frente, o Leo pode usar a velocidade para flanquear.
Leo, sentindo a familiaridade daquelas colinas e o peso da sua cidade natal, manteve o foco na missão, usando seu Arcano IV – O Imperador (Liderança) para impor ordem mental. — A rota de abordagem deve ser a trilha mais íngreme e menos visível. Atacamos ao amanhecer, pegando o Shaman de surpresa.
Ainar Stellarion bateu a mão na mesa, e o som cortou o ar como um estalo de chicote, silenciando a discussão. Sua voz retornou ao seu tom mais arrogante e entediado.
— Quarenta Goblins, um Hobgoblin e um Xamã. Um ninho de praga que secou a principal fonte de água de Campanus. É um trabalho Rank B, de risco moderado. É perfeitamente adequado para a primeira missão do time Master X. Eles farão a limpeza.
Diegão olhou para Ainar, incrédulo. — Mestre Stellarion, com todo o respeito, essa é uma missão suicida para apenas três novatos!
— Eu sou o tutor do Caos. Não a babá. A missão é de caça e extermínio. Eu não vou ajudá-los. Essa é a regra. Eles devem provar sua capacidade de coordenação total sob pressão real. Se falharem, não são dignos de respirar o mesmo ar que Draven.
Ainar virou-se para Leo, e a seriedade em seu olhar era profunda. — Você é o líder, Veyndril. Sua cidade está seca. Sua missão é simples. Quero que use a previsão da sua mente (a Sacerdotisa) para traçar a rota, e a fúria controlada do seu familiar para cortar o Xamã. Mantenha o foco. Não há honra em uma missão Rank B, apenas eficiência.
Ainar recuou, voltando para a penumbra do escritório, o cheiro de mana pura emanando sutilmente de seu corpo. Ele olhava para o trio, a postura de quem não esperava nada mais do que sucesso metódico. Sua mente, no entanto, estava analisando o perfil de mana que Diegão havia descrito. O Comandante falava de goblins, mas o nível de organização mencionado, e a Magia de Terra usada para bloquear uma nascente inteira, era anômalo. Goblins não eram conhecidos por sua disciplina, e um Xamã solitário não teria a potência para manter uma nascente bloqueada por dias.
Ainar considerou a possibilidade de uma ameaça maior, mas descartou-a rapidamente, mantendo-se fiel ao seu papel. O Mestre Draven o havia instruído a testar o potencial do trio contra o limite do Rank B. Se houvesse algo além, seria responsabilidade do trio lidar com a escalada do risco. Intervir com base em uma suspeita tática de organização dos goblins seria quebrar a regra de Draven e anular o teste.
Ele se concentrou apenas em preparar Leo psicologicamente para a luta que ele esperava que fosse.
— Veyndril, a única coisa que um Hobgoblin respeita é a velocidade e a força letal. Não percam tempo. O Xamã deve cair primeiro. E lembrem-se: o tempo de vocês vale mais do que a vida de quarenta goblins.
Ainar acenou com a cabeça, encerrando a reunião. — Vão. Eu esperarei aqui.
Leo, Luna e Bob pegaram seus equipamentos, sentindo o olhar pesado de Ainar sobre eles. Eles estavam prestes a sair para a "limpeza" do desfiladeiro, com a pressão de sua primeira missão Rank B, e a tensão de lutar na cidade natal de Leo, sem saber que o fator de surpresa que os aguardava era muito mais sombrio do que a simples desorganização dos goblins.
Eles saíram do posto, a escuridão da noite ainda pairando sobre Campanus, caminhando para a Garganta do Ferro.
