CAPÍTULO 4 – NAS FAVELAS DE NAQUE
Light acordou no beco com o corpo doendo e a alma ainda mais machucada. Cada movimento lembrava a surra que levou e tudo o que havia perdido. Sentado no chão sujo, ele extrai o olhar e viu uma bandeira tremendo ao longo, presa a um prédio alto. Era a bandeira do Império.
Seu coração aberto. Aquela era a mesma bandeira que havia sido erguida no dia em que sua vila foi atacada.
Ali, sozinho e ferido, Light fez um juramento silencioso. Jurou que acabaria com aquele sistema injusto, nem que para isso tivesse que entregar a própria vida. O ódio queimou dentro dele, mais forte do que a dor.
Ele se declarou com dificuldade e foi até uma fonte pública. Lavei o rosto, limpei o sangue seco e enxaguei suas roupas rasgadas.
Enquanto isso, ouvimos pessoas ao redor comentando, reclamando dos nobres, falando de abusos, de humilhações, de mortes que nunca foram punidas. Light veja algo importante: ele não estava sozinho. Os pobres também odiavam a nobreza. Os nobres viam os outros como animais imundos, indignos de respeito.
Esse pensamento fez o ódio de Light crescer ainda mais.
Nos dias seguintes, Light tentou sobreviver sozinho. Procurou trabalhar em todo lugar, mas era sempre rejeitado. Ele tinha apenas dez anos, era fraco demais para trabalhos pesados e inútil para qualquer outra coisa aos olhos dos adultos.
Foi então que, em uma viagem estreita, ele esbarrou em três filhos: Fred, Luzia e Sebastião. Sebastião logo se colocou na frente, pronto para brigar, mas Fred o impediu.
Com um olhar sério, Fred perguntou quem era Light e se ele sabia onde tinha se metido. Light respondeu que não sabia.
Fred explicou que aquela era a favela do bairro Naque e que, se pudesse, Light deveria ir embora. Mas Light respondeu a verdade: ele não tinha mais para onde ir.
Depois de conversarem entre si, Fred se mudou novamente e falou com clareza:
— O que a gente faz pra sobreviver é errado. Nós roubamos. Se você entrar, não tem mais tempo.
Light apenas balançou a cabeça, concordando.
— Então pronto — disse Fred. — Agora você é da equipe.
