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Chapter 2 - Chapter 2: Form, Function, and Permanence

A manhã chegou sem aviso prévio.

Na Floresta de Jura, o amanhecer não surgiu com um sol visível, mas com uma mudança na mana. O ar tornou-se mais leve, mais vibrante, como se o próprio ambiente despertasse junto com suas criaturas.

Eryon Arclight abriu os olhos lentamente.

Ele dormira encostado no tronco de uma árvore antiga, usando raízes grossas como cama improvisada. Seu corpo doía — não por causa de uma lesão, mas pelo alto preço de uma noite inquieta.

"...Preciso resolver isso."

Ele se levantou, se espreguiçou e examinou os arredores. A clareira que encontrara na noite anterior parecia suficientemente segura. Nenhum sinal de grandes predadores. A mana ali fluía com um pulso constante e rítmico.

"Se eu for ficar aqui, preciso de um abrigo."

Mas antes disso, havia algo mais importante. Eryon fechou os olhos e respirou fundo, estendendo a mente.

Ele sentiu a mana. Estava por toda parte, como sempre. Mas agora, ele não apenas a percebia — começou a compreender sua textura. Sua densidade. Sua organização natural.

"Personalizar Arcana…"

Ele estendeu a mão. Com precisão cirúrgica, concentrou a mana entre os dedos. Sem lâminas desta vez. Sem geometria complexa. Apenas um bloco simples, do tamanho de um tijolo.

A mana se acumulou lentamente, formando um sólido translúcido de cor azul pálida.

"Estável..." ele sussurrou.

Ele afastou a mão. O bloco não se dissolveu.

Os olhos de Eryon se arregalaram ligeiramente.

"Então... se eu estruturar corretamente, a mana se integra ao ambiente. Ela permanece."

Ele tocou no bloco. Era firme. Frio. Real. Não era um feitiço passageiro; era uma adição permanente à realidade. Isso mudou tudo.

Eryon passou as horas seguintes testando seus limites. Sem armas. Sem combate. Apenas forma e função. Ele criou placas planas de mana endurecida, pequenos pilares de sustentação e uma superfície lisa para se sentar.

Cada tentativa exigia concentração absoluta. No momento em que sua mente divagava, a estrutura se tornava instável.

"Não se trata apenas de imaginação... trata-se de compreensão."

Ele percebeu uma verdade fundamental sobre sua nova vida: quanto mais respeitasse as "regras" do mundo — gravidade, peso, equilíbrio — menos mana precisaria gastar.

"A personalização não se trata de impor a minha vontade. Trata-se de negociar com a realidade."

Em dado momento, Eryon fez uma pausa. Ele colocou a mão sobre o próprio peito.

"E se…?"

Ele nunca tinha tentado isso antes. Não criar algo externo, mas sim ajustar a si mesmo.

Com extrema cautela, ele direcionou uma quantidade microscópica de mana ao redor do próprio corpo. Ele não estava tentando fortalecer seus músculos ou aumentar sua força. Ele buscava harmonia.

A mana o envolveu como uma segunda pele invisível, reduzindo pequenas perdas de energia, estabilizando sua postura e suavizando os efeitos nocivos de seu cansaço.

Eryon soltou um longo e profundo suspiro.

"Não é um buff. É eficiência."

O efeito era sutil, quase imperceptível para qualquer outra pessoa. Mas para ele, era como ser uma máquina perfeitamente afinada.

"Posso personalizar a forma como a minha própria existência interage com o mundo. Não se trata de mais poder, mas sim de uma forma melhor."

Ele esboçou um leve sorriso. Era um caminho perigoso, mas promissor.

Com o treino do dia concluído, Eryon retornou ao seu plano inicial: o abrigo.

Ele escolheu um local protegido por árvores de tronco grosso e raízes naturais que formavam um semicírculo.

"Exposição mínima. Estabilidade máxima."

Ele começou pelo chão, usando mana para nivelar o solo e criando uma base firme entrelaçando terra verdadeira com mana endurecida. Em seguida, vieram as paredes — placas baixas e discretas de mana opaca, reforçadas com madeira reaproveitada. O telhado era inclinado, sustentado por galhos grossos e selado com uma fina membrana de mana para impedir a entrada da chuva.

Lá dentro, o espaço era pequeno. Um leito de folhas, uma fogueira, um lugar para sentar.

Simples. Funcional.

"…Lar."

Eryon sentou-se, observando a mana ao redor de sua nova morada. Ela permanecia calma, como se a própria floresta aprovasse sua modesta presença.

Enquanto Eryon construía sua vida em silêncio, a Floresta de Jura estava mudando em outros lugares.

Ao norte, uma pequena gosma azul caminhava entre criaturas nervosas e de olhos arregalados.

"Não se preocupem, eu não vou machucar ninguém", disse Rimuru.

Os goblins observavam com medo, mas também com um vislumbre de esperança. Logo depois, nomes foram dados. Vidas foram transformadas. Um novo assentamento começou a florescer.

Eryon não sabia os detalhes, mas sentia as ondulações. Ao longe, a mana fervilhava de uma forma que parecia organizada. Decidido.

"Algo mudou...", murmurou ele.

Ele saiu do abrigo e olhou para o norte. Não viu nada além de árvores sem fim, mas a sensação era inconfundível.

"Não sou o único que se move neste mundo."

A rotina se instalou.

Para Eryon Arclight, os dias seguiam um ritmo simples: treino pela manhã, busca por alimento à tarde e aprimoramento de seu abrigo ao entardecer. Ele não passava de um fantasma na floresta.

E, no entanto, ele sentiu isso.

"Estou sendo vigiado."

Não era um olhar fixo constante, mas presenças intermitentes. Pequenos lampejos de mana apareciam e desapareciam na borda de seu território. Cautelosos. Curiosos.

Goblins.

Eryon não interferiu. Quando os pressentiu, permaneceu visível, mas distante. Não desembainhou armas. Não liberou sua mana. Simplesmente existiu.

Funcionou.

Certa tarde, enquanto reforçava o telhado, ele ouviu vozes.

"...Tem certeza de que está aqui?" "Eu senti ontem. Mana estranha."

Eryon parou. Trinta metros à frente, três goblins espreitavam por entre os arbustos. Eles não avançaram. Não desembainharam suas lâminas enferrujadas.

"Eles não são hostis", sussurrou ele.

Ele se afastou de seu abrigo, dando-lhes espaço. Não queria que se sentissem encurralados. Os goblins trocaram um olhar.

"Ele vai embora?" "Não... ele só não quer nos assustar."

O líder — um goblin mais alto com uma simples faixa de pano no braço — deu um passo trêmulo para a frente.

"Humano!" ele gritou.

Eryon virou a cabeça lentamente. "Estou ouvindo."

Os goblins congelaram. O líder engoliu em seco. "Vocês... vocês não atacam."

"Não tenho motivo para isso", respondeu Eryon calmamente.

Um silêncio se estendeu entre eles.

"Você mora aqui... sozinha?" "Sim."

Os goblins trocaram olhares rápidos. Sem malícia, apenas pura confusão.

"Esta parte da floresta... é perigosa." "Eu sei." "Mas você não caça goblins. Você não destrói ninhos. Você não invade." "Eu não preciso."

Isso pareceu desarmá-los completamente.

"Então... contaremos à aldeia", disse o líder. "Sobre você."

Eryon assentiu com a cabeça. "Pode prosseguir."

Os goblins hesitaram por mais um instante, depois recuaram para a vegetação, desaparecendo sem fazer barulho. Eryon observou o local onde eles estiveram.

"Então, começa."

[Localização: Vila dos Goblins - Norte]

As cabanas eram simples, mas organizadas. Havia ordem onde antes só existia sobrevivência. No centro de tudo, uma pequena gosma azul tagarelava animadamente.

"Vocês estão indo muito bem!" disse Rimuru, dando um pulinho.

"Tudo graças a você, Lorde Rimuru!" gritaram os goblins em uníssono.

Entre eles estava Rigurd, com a postura agora firme e repleta de uma força recém-adquirida. Ele se aproximou da gosma com uma expressão séria.

"Lorde Rimuru. Nossos batedores retornaram do sul."

"Ah? Algum problema?"

Rigurd hesitou. "Não é exatamente um problema."

Rimuru inclinou o corpo, curioso. "E depois?"

"Eles encontraram... um ser humano."

O sorriso — ou a sensação de um sorriso — desapareceu ligeiramente do rosto de Rimuru. "Um humano? Nas profundezas de Jura?"

"Sim. Sozinho. Ele vive em uma clareira, em um pequeno abrigo. Ele usa mana... de uma maneira muito estranha."

"Estranho como?" perguntou Rimuru, com um tom de voz mais incisivo.

"Ele não lança. Ele molda."

Rimuru ficou em silêncio.

[Analisando…] ecoou uma voz em sua mente. [Grande Sábio, consegue identificar algo?] [Resposta: Informação insuficiente. O padrão de uso de mana é inconsistente com os círculos mágicos conhecidos ou com a manipulação elemental.]

Rimuru "sorriu" interiormente. "Jura está se tornando um lugar muito interessante."

"Os batedores dizem que ele permanece ao sul", continuou Rigurd. "Ele não se aproxima das aldeias, mas também não foge."

"Entendo." Rimuru cruzou seus braços invisíveis. "Então temos um humano estranho e pacífico usando mana não convencional, vivendo como um eremita no meio de uma floresta de monstros."

"Sim."

Rimuru deu uma risadinha. "Heh... parece alguém que vale a pena ficar de olho."

"Devemos tomar alguma providência?"

"Ainda não", decidiu Rimuru. "Se ele for pacífico, não o provocaremos. Vamos apenas ver o que ele está construindo."

Ao sul, Eryon sentava-se diante de sua pequena fogueira, observando as brasas dançarem. Ele sentia o peso da atenção do mundo, mas não parecia uma ameaça. Ainda não.

"Então agora eles sabem sobre mim."

A mana ao seu redor permaneceu calma.

"Tudo bem. Não tenho pressa."

Duas trilhas se abriam na mesma floresta. Ainda separadas, mas a distância entre elas diminuía a cada dia.

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