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Ordem Paranormal Alvorecer

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Chapter 1 - O Sorriso na Penumbra

Capítulo 1: O Sorriso na Penumbra

​O brilho azulado do celular de trabalho cortou a escuridão da sala. Márcio sentiu o leve tremor no bolso antes mesmo de ouvir o bipe discreto. Era uma convocação direta. O "Alvorecer" não pedia; ele determinava. Como os outros agentes de elite estavam em missões externas, a responsabilidade caiu sobre os ombros do melhor estrategista da organização.

​— Márcio? Está tudo bem, amor? — A voz de Rebeca era suave, vinda do sofá onde ela lia um livro sob a luz de um abajur.

​Márcio guardou o aparelho e forçou o sorriso que ela tanto amava. O sorriso de Márcio Lambar, o namorado dedicado.

​— É o chefe de novo, Bec. Algum problema urgente com um contrato na imobiliária. Parece que vou ter que dar um pulo no escritório agora à noite.

​— De novo? Eles abusam da sua boa vontade... — Ela suspirou, mas não havia raiva, apenas preocupação.

​Ele se aproximou com a calma de quem escondia um abismo dentro de si. Com cuidado e uma força gentil, Márcio a pegou no colo, sentindo a leveza do corpo dela, e a levou até o quarto. Ajeitou-a entre os lençóis com uma ternura que ninguém no mundo sobrenatural acreditaria que ele possuía.

​— Prometo que volto logo. Tente descansar, tá? — Ele beijou a testa dela, um toque carregado de promessas silenciosas.

​Ao fechar a porta do quarto, a expressão educada de Márcio desmoronou, dando lugar a uma máscara de neutralidade gelada. Ele desceu para o subsolo do prédio, uma área técnica que ele mesmo havia adaptado. Lá, o jovem promissor morreu.

​Ele vestiu a regata preta, sentindo o tecido contra a pele, e ajustou a jaqueta de couro. As correntes tilintaram baixo quando ele as prendeu no cinto. Por fim, ele pegou a máscara. O rosto do Ghostface o encarou de volta, vazio e eterno. Quando ele a colocou, a mente de Márcio silenciou. O sarcasmo começou a brotar como um mecanismo de defesa.

​A noite estava opressiva. O céu de Manaus estava carregado, nuvens pesadas se acotovelavam no alto, prometendo uma tempestade que fazia o estômago de Márcio dar nós. Ele odiava raios. Ele odiava trovões. Mas o Ser tinha dado a ordem.

​Ele dirigiu até os limites da cidade, onde a civilização se rendia à densidade da floresta. O destino era uma mansão abandonada, um esqueleto de concreto e memórias que apodrecia além das árvores. Diziam que o lugar estava "infestado" de algo que não pertencia a este plano, e Márcio precisava avaliar o novo recruta que o esperava lá dentro.

​A caminhada pela trilha da floresta foi silenciosa. O Assassino do Sorriso se movia como uma sombra entre as sombras. Quando a silhueta da mansão surgiu, gótica e decadente, um clarão iluminou o horizonte distante.

​Márcio apertou o passo, os dedos das luvas de couro fechando-se em punho.

​— Vamos logo com isso antes que o céu desabe — murmurou ele para si mesmo, sua voz agora distorcida e carregada de um deboche sombrio por trás da máscara.

​Ele subiu os degraus da varanda podre. A porta estava entreaberta.