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Chapter 31 - The First Light of Dawn

Harumi desceu os sete andares do hospital com passos lentos e pesados. Seu corpo parecia sobrecarregado. Mas sua mente... não.

Ela sabia o que tinha que fazer agora.

Os documentos estavam pressionados contra o peito dela — papéis amarelados, carimbos antigos, assinaturas rachadas entre a tinta e a dor. Informação demais para uma única noite. Informação necessária.

Mas essa não era a coisa mais pesada que ela carregava.

O que mais doía era o espaço vazio onde Takeru deveria estar.

Ao sair pelas portas automáticas do hospital, o ar noturno atingiu seu rosto com força. Frio. Congelante. Como se para lembrá-la do que estava em jogo.

A cidade antiga onde ela morava era pequena. Quase ninguém nas ruas. Postes de luz fracos, um em cada esquina... e nada mais.

Harumi caminhava pela calçada estreita, respirando fundo para não desmoronar completamente.

Ela sentiu…

…desamparado.

Mas também determinada.

Cada passo dizia a mesma coisa:

Eu o encontrarei.

O poste de luz mais próximo piscou, apagando-se em seguida. Harumi pegou o celular e ligou a lanterna.

Um fino feixe de luz cortou a escuridão.

E então ela viu.

Uma pequena silhueta. Um menino sentado na calçada alguns metros à frente. Casaco escuro. Cabeça baixa. Pernas balançando lentamente, como alguém que espera por algo que talvez nunca chegue.

Ele agarrava as próprias calças, os dedos apertando o tecido como se tentasse se manter inteiro.

Sem mochila. Sem celular. Nada.

Apenas ele. O frio. E o mundo vazio atrás dele.

Harumi parou.

Ela reconheceria aquela silhueta… Aquele jeito de sentar… Aquele silêncio rígido…

Mesmo por trás. Mesmo no escuro.

Era ele.

E o coração dela quase caiu no chão.

Takeru…

Ela não disse isso. Ela apenas pensou nisso.

E começou a correr.

Ela não tropeçou. Não escorregou. Não fez nenhum barulho.

Pela primeira vez na vida, Harumi se moveu com perfeição.

Como se o mundo tivesse aberto um caminho para ela.

O vento bateu em seu rosto, mas ele nem sequer piscou.

Eu devia ter trazido a Mei comigo. Sou uma idiota. Abandonei-a tal como a mãe nos abandonou. Para onde vou agora? Não devia ter vindo… A Harumi deve estar mais feliz sem mim a atrapalhar… Será que a Mei vai ter alguma coisa para comer? Será que ela vai acordar e perceber que eu não estou lá?

Ele apertou o tecido com mais força.

Eu não deveria ter nascido…

E então-

Algo quente tocou a nuca dele.

Um abraço.

Forte. Desesperada. Aconchegante como uma casa com o forno ligado.

Os cabelos dela roçaram sua bochecha. E o cheiro — aquele aroma suave e inconfundível de Harumi — o envolveu completamente.

Ele não a tinha visto chegar. Não a tinha ouvido. Não tinha imaginado nada disso.

Ele apenas sentiu isso.

E o mundo dele desmoronou.

Lentamente. Silenciosamente. Como vidro fino.

As lágrimas caíram antes que ele percebesse.

Ele tentou contê-los. Tentou engoli-los. Tentou se esconder.

Sua mão trêmula denunciava tudo.

E Harumi, que estava atrás dele, percebeu.

Ela o abraçou com mais força.

"Está tudo bem…" ela sussurrou, gentil e calma. "Está tudo bem agora… está tudo bem, Takeru…"

A mão dela deslizou lentamente sobre a cabeça dele, acariciando os fios frios e aquecendo sua pele gelada.

Ele virou o rosto ligeiramente.

Ele encostou a testa no braço dela.

E chorou.

Não era um choro silencioso — era um choro doloroso. Dava para sentir.

Aquela criança estava desesperada.

Ele soltou um choro que nem sabia que estava reprimindo há tantos anos.

Harumi respirou fundo, enxugou as próprias lágrimas com a manga e permaneceu ali, abraçando-o, murmurando palavras que acariciavam suavemente sua alma:

"Acabou…" "Eu te encontrei…" "Não vou te deixar sozinha." "Nunca mais."

Parecia uma oração.

Talvez fosse.

O aquecimento emitia um calor suave. Mas Takeru estava corado — olhos inchados, nariz vermelho, bochechas ardendo.

Harumi olhou para ele e murmurou:

"É só o frio."

Izumi não estava lá para contradizê-la. Mas Takeru sabia.

Ele sabia que ela estava dizendo aquilo apenas para que ele não se sentisse constrangido.

E por isso, ele lançou um olhar discreto para as mãos deles sobre o banco.

Sua mão tremia. De frio... e de alívio.

Ele roçou a ponta dos dedos na dela.

E, pela primeira vez, ele não recuou.

Harumi bateu na porta, exausta, com os olhos ainda vermelhos.

Sakura abriu.

Mei dormia nos braços do vizinho bonito e trabalhador, com chocolate espalhado ao redor da boca, agarrando um guardanapo como se fosse um tesouro.

"Ela estava preocupada que você não voltasse…" disse Sakura suavemente. "Mas ela adormeceu depois do terceiro doce."

Harumi esboçou um sorriso fraco.

"Muito obrigado… de verdade…"

Takeru estava atrás de Harumi, meio escondido. Quando Sakura viu seus olhos inchados, não perguntou nada.

Ela apenas sorriu gentilmente.

"Vocês três… vocês são uma visão encantadora, sabiam?"

Harumi corou e fungou.

"Nós precisamos ir… Obrigada por cuidar da Mei."

"A qualquer hora", disse Sakura, piscando o olho.

A casa estava escura.

E frio.

Muito frio.

Harumi abriu a porta com cuidado, com Mei nos braços — pesada de sono.

Takeru parou ao lado dela.

O corredor parecia um túmulo de gelo.

"Ai meu Deus... eu preciso mesmo consertar isso... esse aquecedor..." Harumi murmurou, tremendo.

E então-

Takeru respirou fundo, como quem diz: " Finalmente estou em casa".

Harumi olhou para ele, surpresa.

Ele desviou o olhar rapidamente.

Ela sorriu.

Um sorriso pequeno e cansado… mas completamente cheio de amor.

As crianças estavam seguras.

Ela estava segura.

E pela primeira vez…

Aquela casa fria parecia menos vazia.

Foi como…

Completo.

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